Do sonho de menina ao profissional após ser mãe: Raquel, a zagueira da Ponte Preta

O sonho de ser jogador de futebol passa pela cabeça da maioria das crianças. Meninas e meninos buscam no esporte a chance de ter uma vida nova, dar um futuro melhor para a família e ter um reconhecimento dentro de campo. Com Raquel não foi diferente. Desde os 11 anos ela sonhava em ser jogadora de futebol. Passou por perrengues, enfrentou preconceitos e, quando parecia algo distante, uma oportunidade de jogar em um time tradicional bateu à porta. Aos 30 anos. Aos 49 do segundo tempo. Mais do que isso: quando já tinha dois filhos para criar. Desistir? Não foi o caso dela, que agarrou a oportunidade com unhas e dentes para se firmar como zagueira titular da Ponte Preta. Nesse dia das mães conheça a história de Raquel, que concilia a vida de mãe com a carreira de jogadora.

A trajet√≥ria de Raquel nos gramados come√ßou ainda na inf√Ęncia. Desde os 11 anos brincava de bola, despreocupada com o futuro e apenas por divers√£o. Passou por times de Valinhos e Vinhedo, onde conquistou t√≠tulos tanto nos gramados, como no futsal. At√© que em 2016, a primeira chance de jogar profissionalmente.

“Eu ganhei t√≠tulos regionais, Copa Nova Odessa, Campeonato Valinhense, Campeonato Aberto. Alguns que eu me lembro. E com 30 anos comecei a jogar no profissional do Guarani. E no ano seguinte j√° fui jogar na Ponte Preta. Meu maior desafio foi encarar minhas dificuldades. E eu ainda quero conquistar t√≠tulos aqui!”, confessou a zagueira ponte pretana.

E não foram poucas dificuldades, não. Raquel teve seu primeiro filho, Adriel, com 21 anos. Três anos depois deu à luz João Paulo. Em uma das gravidez ela teve sangramento e chegou inclusive a ficar internada. Mas foi só um susto. E somente dois meses depois de ter Adriel, ela já estava dentro de campo em busca do objetivo: se tornar jogadora profissional de futebol.

“Depois que meu primeiro filho completou dois meses de vida eu j√° voltei a treinar. Quando tinha jogo, eu ia jogar e meu marido ficava na arquibancada com o Adriel. E no intervalo eu dava de mamar pra ele, e j√° voltava pra partida. Era bem dif√≠cil e eu tamb√©m enfrentava preconceitos por n√£o ficar s√≥ cuidando do meu filho. Mas n√£o queria desistir do futebol, n√£o”, afirmou.

DENTRO E FORA DE CAMPO

O carinho e o afeto pelos filhos, que trilham o caminho da m√£e e jogam futebol em uma escolinha de Vinhedo, fica s√≥ fora de campo mesmo. Zagueira, “xerifona” como nos velhos tempos, Raquel confessou que gosta de chegar junto nas advers√°rias. E que, √†s vezes, a postura r√≠gida acaba at√© mesmo parando dentro de casa.

“Tem que marcar forte, n√©. E tem que bater (risos) pra voc√™ se proteger, se n√£o voc√™ acaba levando a pior. E com meus filhos eu tamb√©m sou bem r√≠gida, gosto das coisas certas, nada fora do lugar. E acho fundamental que sempre tenham respeito com os mais velhos”, ponderou.

FALTA DE TEMPO

Entretanto, n√£o foi s√≥ na inf√Ęncia dos filhos que Raquel enfrentou dificuldades. Conciliar a vida de m√£e com a carreira de jogadora toma tempo, molda uma rotina longe de casa e quase √† afasta de Adriel e Jo√£o Paulo. Mesmo assim, ela encontra um tempo para preparar ambos para o futuro.

“N√£o √© nada f√°cil ser m√£e e atleta. De manh√£ levo o Adriel para a escola e vou pra academia, enquanto a bab√° fica com o Jo√£o Paulo em casa. A√≠ eu chego, limpo a casa e fa√ßo o almo√ßo. Eles estudam em hor√°rios diferentes, ent√£o √† tarde eu deixo o Jo√£o Paulo na escola e vou treinar em Valinhos. E acabo voltando pra casa s√≥ umas 19h30. E ainda tenho que fazer janta e ajud√°-los a fazer a li√ß√£o. Al√©m de ter que arrumar tempo pra educar, brincar e conversar”, confessou.

Falta de tempo, gravidez complicada e um sonho que, por muitas vezes, pareceu longe de ser conquistado. Nada disso foi motivo para Raquel abaixar a cabeça e abandonar o que sempre desejou ser: jogadora de futebol.

“O recado que eu quero deixar, como m√£e que gosta de futebol, √© para as pessoas nunca desistirem de seus sonhos. Porque s√≥ assim, um dia, voc√™s v√£o ter uma hist√≥ria para contar para seus filhos”. E que hist√≥ria…

Adrian, Jo√£o Paulo e Raque aproveitam as horas vagas juntos (Foto: arquivo pessoal)

Uma resposta para “Do sonho de menina ao profissional ap√≥s ser m√£e: Raquel, a zagueira da Ponte Preta”

  1. Meire disse:

    Parabéns!!! Perseverança é tudo!! Feliz dia das mães, Raquel!!!

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