Bancário, de 70 anos, mata para não ser esquecido

Por jucimara.pauda em 24/06/2017

o lado imovel do tempo 3

O escritor Matheus Arcaro escreveu o livro “O lado imóvel do tempo” que conta a história de Salvador, um bancário que no final da vida faz um balanço de sua trajetória e percebe que teve uma existência infeliz.
Ele conseguiu uma vaga no serviço público com a ajuda do pai, a mulher o deixou, as poesias que ele escreve não suscitam emoção no leitor.
Ele então decide chamar a atenção sobre a sua existência e decide se tornar um assassino em série.
A narrativa do Matheus é envolvente e você consegue ler o livro em uma sentada. Salvador é aquele seu amigo do trabalho, infeliz, que parece ser o certinho, mas tem uma raiva imensa de tudo e de todos.
Em algumas vezes, Salvador consegue sensibilizar o leitor com sua falta de sorte na vida, mas você logo percebe que ele não é digno de compaixão.
O livro é o primeiro romance do Matheus e a torcida é para que ele escreva outros com a mesma qualidade.
Matheus conta na entrevista ao blog sobre sua paixão pela literatura e como nasce a inspiração para a criação literária.
deixa você com gostinho de quero mais
LSF: Como nasceu a sua paixão pela literatura e quais foram os primeiros livros que você leu?
Matheus Arcaro: Desde muito pequeno gosto de escrever. Me fascinava descobrir o sentido das palavras, o modo como eram formadas. E eu brincava com elas, literalmente. Na pré-escola, a professora me colocava para fazer ditado na mesa dela, para que os outros aluninhos não copiassem (risos).
Eu lia bastante. O primeiro livro que lembro é o “O reino de muito longe”, de Carlos Augusto Segato. Depois, as obras de Monteiro Lobato. Quando conheci Machado de Assis, na adolescência, descobri a língua brasileira. O segundo choque foi quando li Clarice Lispector e Guimarães Rosa, pouco tempo depois.
LSF: Quando você passou de leitor a escritor?
Matheus Arcaro: No início de 2008, fiz uma viagem (mochilão) pela Europa que durou 50 dias. Com tantas manifestações culturais borbulhando em mim, voltei com o intento de cursar Filosofia. Ingressei na universidade na semana seguinte. Além da Filosofia, a viagem suscitou-me o gosto pelas artes plásticas. Não por acaso, minhas primeiras pinturas datam de 2008 e, até hoje, nos intervalos entre um texto e uma aula, ponho-me a pintar. Graduei-me no final de 2010. Em 2011 comecei a lecionar Filosofia e Sociologia no ensino médio e em cursos pré-vestibulares. Nesse ano conheci pessoalmente o escritor Menalton Braff, numa oficina ministrada por ele em Ribeirão Preto. A partir daí, com os ensinamentos de um escritor experiente, meus textos evoluíram significativamente. Considero que 2011 é o início da minha atividade como escritor, de fato.
LSF: Você se inspira em algum escritor?
Não acredito em inspiração. Certa vez, o músico Soraste afirmou: “Durante 27 anos pratiquei 14 horas por dia e, agora que cheguei nesse estágio, chamam-me de gênio”. Inspiração, nos moldes que a tradição cunhou, não existe. Existe, sim, talento. E este só se atualiza com exercício, com prática. Se ficar à espera do sopro divino, da inspiração das musas (herdada da filosofia platônica e, sobretudo do Romantismo) o sujeito será para sempre um futuro escritor.
Sobre os escritores que me influenciam, lembro de uma afirmativa de Michel Foucault: o ser humano é uma coleção de discursos. Alguns escritores, mais que influências são parte de mim. Menciono, no âmbito da filosofia, o próprio Foucault, além de Nietzsche, Espinosa, Heidegger, Sartre e o pré-socrático Heráclito. Na literatura, em poesia, Rimbaud, Fernando Pessoa, Drummond, Bandeira e Manoel de Barros. Na prosa, Flaubert, Dostoievski, Proust, Kafka, Albert Camus, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Machado de Assis (o homem que inventou o Brasil), Borges, Joyce, Beckett, Faulkner, Saramago e Mia Couto.
LSF: Você publicou primeiro o livro “Violeta Velha e outras Flores”, pela editora Patuá (SP), e depois o romance “O lado imóvel do tempo”. Como nasceu a história do Salvador?
Matheus Arcaro: Mais do que a morte em si, talvez o grande medo do ser humano seja o esquecimento após a morte. Na Grécia antiga, não havia castigo maior do que este; quando um grego queria ofender o outro, dizia: “os poetas não cantarão o seu nome”.  Salvador é a personificação deste imbróglio existencial. Ele chega aos 70 anos de uma vida medíocre e, percebendo que a morte se aproxima, assalta-o uma terrível angústia. Então, após conjecturar inúmeras possibilidades, conclui que a única maneira de não ser esquecido é se tornando um assassino em série.
LSF: O seu livro tem uma capa muito bonita e que chama a atenção para a história. Como ela foi criada?
Matheus Arcaro: Enquanto escrevia o romance, um quadro não me saía dos pensamentos: “Saturno devorando um filho” (1823), do espanhol Francisco de Goya. Saturno é o representante romano de Cronos, deus do tempo. Era a imagem perfeita para ilustrar Salvador. Enviei o quadro ao artista Leonardo Mathias, da editora Patuá, que fez uma belíssima releitura da obra.
LSF: Salvador é um poeta que a vida levou para o banco. Muitas pessoas temem se aventurar pela vida artística e preferem a profissão tradicional. Você quis fazer um alerta a elas?
Matheus Arcaro: Minha psicanalista, ao ler o romance, perguntou se Salvador era meu alterego (risos). Acho que, para mim, não há medo maior do que chegar aos 80 anos, olhar para trás e me arrepender da vida que levei. Um dos conceitos mais fortes de Nietzsche é o “eterno retorno”. O filósofo alemão nos pergunta: Se uma criatura dissesse para você que tudo na sua vida retornaria pela eternidade, cada sofrimento e cada prazer, cada alegria e cada sofrimento, você amaldiçoaria ou daria bênçãos a esta criatura? Pois se a resposta for a maldição, segundo Nietzsche, sua vida não está valendo a pena. Obviamente, não se trata de um remorso pelo que passou, mas uma navalha existencial para o presente, para as escolhas do aqui e do agora. Você teria coragem de ser bancário por toda a eternidade? Então, não seja desde agora. Vá procurar algo que (no vocabulário nietzschiano) potencializa sua vontade.
LSF: A pergunta que não quer calar: na sua opinião, Salvador foi um escritor incompreendido?
Matheus Arcaro: Emil Cioran, filósofo romeno, tem uma frase interessante sobre isso: “não há frustração maior para um escritor do que ser completamente compreendido”. Diferentemente do discurso filosófico ou do científico, a literatura não está a serviço do entendimento. Evidente que não se pode quebrar a ponte com o leitor. Mas a literatura que não tem o mercado como objetivo primaz, faz o leitor “tropeçar”. Um conto da Clarice, por exemplo, tem a tendência de causar um “deslocamento” no leitor. No caso de Salvador, creio que não ocorreu algo do gênero. Creio que ele era um poeta medíocre mesmo, rsrs.
LSF: Em algumas cenas do livro eu senti que a vida (autor) foi muito cruel com o Salvador. Foram detalhes como ele descobrir que entrou no Banco do Brasil porque o pai pediu, ou quando a mulher diz que para alcançar o sucesso ele teria que largar a poesia. Qual o motivo de tanta crueldade?
Matheus Arcaro: Talvez Aristóteles tivesse razão ao dizer que a tragédia era capaz de suscitar catarse no espectador. Freud se apropria desta noção e a transforma em sublimação: a arte como uma espécie de válvula de escape para as atrocidades do mundo.  Minha tendência literária vai por este viés: captar as entranhas do mundo (mesmo as mais cruéis e sombrias) e transformar em material literário, estético, portanto. Concordo com Nietzsche para quem um dos papeis da arte é transformar os aspectos horríveis e absurdos da existência em representações com as quais se torna possível viver.
LSF: O que você está escrevendo agora? Contos? Romance? O que o leitor pode esperar?
Meu próximo livro será publicado novamente pela editora Patuá. O lançamento está marcado para outubro deste ano, no Sesc Ribeirão, e em novembro em São Paulo. Será um livro de contos, cujo título é Amortalha. Cada um dos 21 contos contará com uma ilustração do artista plástico Ubirajara Junior.

O escritor Matheus Arcaro escreveu o livro “O lado imóvel do tempo” que conta a história de Salvador, um bancário de 70 anos, que no final da vida faz um balanço de sua trajetória e percebe que teve uma existência infeliz.

Ele conseguiu uma vaga no serviço público com a ajuda do pai, a mulher o deixou, as poesias que ele escreve não suscitam emoção no leitor.

Ele então decide chamar a atenção sobre a sua existência e decide se tornar um assassino em série.

A narrativa do Matheus é envolvente e você consegue ler o livro em uma sentada. Salvador é aquele seu amigo do trabalho, infeliz, que parece ser o certinho, mas tem uma raiva imensa de tudo e de todos.

Tem momentos em que  Salvador consegue sensibilizar o leitor com sua falta de sorte na vida, mas você logo percebe que ele não é digno de compaixão.

O livro é o primeiro romance do Matheus e a torcida é para que ele escreva outros com a mesma qualidade. Matheus conta na entrevista ao blog, na série Escritores da Nossa Terra,  sobre sua paixão pela literatura e como nasce a inspiração para a criação literária.

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LSF: Como nasceu a sua paixão pela literatura e quais foram os primeiros livros que você leu?

Matheus Arcaro: Desde muito pequeno gosto de escrever. Me fascinava descobrir o sentido das palavras, o modo como eram formadas. E eu brincava com elas, literalmente. Na pré-escola, a professora me colocava para fazer ditado na mesa dela, para que os outros aluninhos não copiassem (risos).

Eu lia bastante. O primeiro livro que lembro é o “O reino de muito longe”, de Carlos Augusto Segato. Depois, as obras de Monteiro Lobato. Quando conheci Machado de Assis, na adolescência, descobri a língua brasileira. O segundo choque foi quando li Clarice Lispector e Guimarães Rosa, pouco tempo depois.

LSF: Quando você passou de leitor a escritor?

Matheus Arcaro: No início de 2008, fiz uma viagem (mochilão) pela Europa que durou 50 dias. Com tantas manifestações culturais borbulhando em mim, voltei com o intento de cursar Filosofia. Ingressei na universidade na semana seguinte. Além da Filosofia, a viagem suscitou-me o gosto pelas artes plásticas. Não por acaso, minhas primeiras pinturas datam de 2008 e, até hoje, nos intervalos entre um texto e uma aula, ponho-me a pintar. Graduei-me no final de 2010. Em 2011 comecei a lecionar Filosofia e Sociologia no ensino médio e em cursos pré-vestibulares. Nesse ano conheci pessoalmente o escritor Menalton Braff, numa oficina ministrada por ele em Ribeirão Preto. A partir daí, com os ensinamentos de um escritor experiente, meus textos evoluíram significativamente. Considero que 2011 é o início da minha atividade como escritor, de fato.

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LSF: Você se inspira em algum escritor?

Matheus Arcaro: Não acredito em inspiração. Certa vez, o músico Soraste afirmou: “Durante 27 anos pratiquei 14 horas por dia e, agora que cheguei nesse estágio, chamam-me de gênio”. Inspiração, nos moldes que a tradição cunhou, não existe. Existe, sim, talento. E este só se atualiza com exercício, com prática. Se ficar à espera do sopro divino, da inspiração das musas (herdada da filosofia platônica e, sobretudo do Romantismo) o sujeito será para sempre um futuro escritor.

Sobre os escritores que me influenciam, lembro de uma afirmativa de Michel Foucault: o ser humano é uma coleção de discursos. Alguns escritores, mais que influências são parte de mim. Menciono, no âmbito da filosofia, o próprio Foucault, além de Nietzsche, Espinosa, Heidegger, Sartre e o pré-socrático Heráclito. Na literatura, em poesia, Rimbaud, Fernando Pessoa, Drummond, Bandeira e Manoel de Barros. Na prosa, Flaubert, Dostoievski, Proust, Kafka, Albert Camus, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Machado de Assis (o homem que inventou o Brasil), Borges, Joyce, Beckett, Faulkner, Saramago e Mia Couto.

Sobre-o-livro-Violeta-Velha-e-outras-flores

LSF: Você publicou primeiro o livro “Violeta Velha e outras Flores”, pela editora Patuá (SP), e depois o romance “O lado imóvel do tempo”. Como nasceu a história do Salvador?

Matheus Arcaro: Mais do que a morte em si, talvez o grande medo do ser humano seja o esquecimento após a morte. Na Grécia antiga, não havia castigo maior do que este; quando um grego queria ofender o outro, dizia: “os poetas não cantarão o seu nome”.  Salvador é a personificação deste imbróglio existencial. Ele chega aos 70 anos de uma vida medíocre e, percebendo que a morte se aproxima, assalta-o uma terrível angústia. Então, após conjecturar inúmeras possibilidades, conclui que a única maneira de não ser esquecido é se tornando um assassino em série.

LSF: O seu livro tem uma capa muito bonita e que chama a atenção para a história. Como ela foi criada?

Matheus Arcaro: Enquanto escrevia o romance, um quadro não me saía dos pensamentos: “Saturno devorando um filho” (1823), do espanhol Francisco de Goya. Saturno é o representante romano de Cronos, deus do tempo. Era a imagem perfeita para ilustrar Salvador. Enviei o quadro ao artista Leonardo Mathias, da editora Patuá, que fez uma belíssima releitura da obra.

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LSF: Salvador é um poeta que a vida levou para o banco. Muitas pessoas temem se aventurar pela vida artística e preferem a profissão tradicional. Você quis fazer um alerta a elas?

Matheus Arcaro: Minha psicanalista, ao ler o romance, perguntou se Salvador era meu alterego (risos). Acho que, para mim, não há medo maior do que chegar aos 80 anos, olhar para trás e me arrepender da vida que levei. Um dos conceitos mais fortes de Nietzsche é o “eterno retorno”. O filósofo alemão nos pergunta: Se uma criatura dissesse para você que tudo na sua vida retornaria pela eternidade, cada sofrimento e cada prazer, cada alegria e cada sofrimento, você amaldiçoaria ou daria bênçãos a esta criatura? Pois se a resposta for a maldição, segundo Nietzsche, sua vida não está valendo a pena. Obviamente, não se trata de um remorso pelo que passou, mas uma navalha existencial para o presente, para as escolhas do aqui e do agora. Você teria coragem de ser bancário por toda a eternidade? Então, não seja desde agora. Vá procurar algo que (no vocabulário nietzschiano) potencializa sua vontade.

LSF: A pergunta que não quer calar: na sua opinião, Salvador foi um escritor incompreendido?

Matheus Arcaro: Emil Cioran, filósofo romeno, tem uma frase interessante sobre isso: “não há frustração maior para um escritor do que ser completamente compreendido”. Diferentemente do discurso filosófico ou do científico, a literatura não está a serviço do entendimento. Evidente que não se pode quebrar a ponte com o leitor. Mas a literatura que não tem o mercado como objetivo primaz, faz o leitor “tropeçar”. Um conto da Clarice, por exemplo, tem a tendência de causar um “deslocamento” no leitor. No caso de Salvador, creio que não ocorreu algo do gênero. Creio que ele era um poeta medíocre mesmo, rsrs.

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LSF: Em algumas cenas do livro eu senti que a vida (autor) foi muito cruel com o Salvador. Foram detalhes como ele descobrir que entrou no Banco do Brasil porque o pai pediu, ou quando a mulher diz que para alcançar o sucesso ele teria que largar a poesia. Qual o motivo de tanta crueldade?

Matheus Arcaro: Talvez Aristóteles tivesse razão ao dizer que a tragédia era capaz de suscitar catarse no espectador. Freud se apropria desta noção e a transforma em sublimação: a arte como uma espécie de válvula de escape para as atrocidades do mundo.  Minha tendência literária vai por este viés: captar as entranhas do mundo (mesmo as mais cruéis e sombrias) e transformar em material literário, estético, portanto. Concordo com Nietzsche para quem um dos papeis da arte é transformar os aspectos horríveis e absurdos da existência em representações com as quais se torna possível viver.

LSF: O que você está escrevendo agora? Contos? Romance? O que o leitor pode esperar?

Matheus Arcaro: Meu próximo livro será publicado novamente pela editora Patuá. O lançamento está marcado para outubro deste ano, no Sesc Ribeirão, e em novembro em São Paulo. Será um livro de contos, cujo título é Amortalha. Cada um dos 21 contos contará com uma ilustração do artista plástico Ubirajara Junior.

Casal que viaja o mundo e conta aventuras em livros dá palestra em Ribeirão

Por jucimara.pauda em 22/06/2017

Rachel e Leonardo Spencer sonhavam em viajar pelo mundo. Com a ideia na cabeça, eles resolveram colocar a mão na massa, largar empregos seguros e se aventurar pelo mundo.
Em dez meses, eles se casaram, prepararam o roteiro e saíram em busca dos sonhos. Hoje, quando olham para trás percebem que tomaram a decisão certa.
Rodaram 230 mil quilômetros (130 mil quilômetros de carro e 100 mil quilômetros de avião), conheceram 70 países, escreveram 4 livros ao longo da viagem e conquistaram 600 mil seguidores no Facebook.
Toda a trajetória, desafio e planejamento, eles vão contar em uma palestra no Hotel Mercure, em Ribeirão Preto, no dia 25 de junho.
Antes, eu curiosa como sempre, falei com o casal pelo skype. Tudo começou com um planejamento detalhado do que eles queriam fazer durante a viagem.
“Fizemos uma lista com os países que queríamos conhecer, verificamos os que não estavam em guerra e saímos pelo mundo”, diz Leonardo.
“Nós já tinhamos dinheiro guardado porque nosso paxdrão de vida era pé no chão. O dificil foi a mudança de vida, porque nunca tínhamos acampado e viajado de carro. Existe um medo da violência. Primeiro fomos até Londrina e tudo era festa”, acrescenta.
Leo conta que nos primeiros dois meses o casal agiu mecanicamente, com horário para tudo, mas quando chegaram no Chile eles perceberam que era preciso aproveitar a viagem.
“Tem que curtir senão a viagem não tem sentido. O desafio é ter hora para curtir e para trabalhar. Trabalho, foco, organização e direcionamento, porque também é muito fácil não fazer nenhum dos dois”.
Durante o período de viagens, o casal se reinventou profissionalmente e transformou a aventura em negócio. Publicaram quatro livros, sem grandes dificuldades.
O primeiro fala sobre a viagem no Continente Americano, o segundo abrange a Europa, o terceiro África e o quarto Ásia e Oceania.
“Os livros tem capa dura e o maior desafio foi fazer a diagramação, tratar as fotos, porque  não era algo que sabíamos fazer.”.

Costa Rica

Rachel e Leonardo Spencer sonhavam em viajar pelo mundo. Com a ideia na cabeça, eles resolveram agir. Largaram empregos seguros e colocaram o pé na estrada.

Em dez meses, eles se casaram, prepararam o roteiro e saíram em busca dos sonhos. Hoje, quando olham para trás percebem que tomaram a decisão certa.

Rodaram 230 mil quilômetros (130 mil quilômetros de carro e 100 mil quilômetros de avião), conheceram 78 países, escreveram 4 livros ao longo da viagem e conquistaram 650 mil seguidores no Facebook.

California

Toda a trajetória, desafio e planejamento, eles vão contar em uma palestra no Hotel Mercure, em Ribeirão Preto, no dia 25 de junho, em duas sessões às 17 e 19h30.

Antes, eu curiosa como sempre, falei com o casal pelo skype. Tudo começou com um planejamento detalhado do que eles queriam fazer durante a viagem.

“Fizemos uma lista com os países que queríamos conhecer, verificamos os que não estavam em guerra e saímos pelo mundo”, diz Leonardo.

O principal desafio era enfrentar a estrada e horas a frente do volante.

“Nós já tínhamos dinheiro guardado porque nosso padrão de vida era pé no chão. O difícil foi a mudança de vida, porque nunca tínhamos acampado e viajado de carro. Existe um medo da violência. Primeiro fomos até Londrina e tudo era festa”, acrescenta.

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Leo conta que nos primeiros dois meses o casal agiu mecanicamente, com horário para tudo, mas quando chegaram no Chile eles perceberam que era preciso aproveitar a viagem.

“Tem que curtir senão a viagem não tem sentido. O desafio é ter hora para curtir e para trabalhar. Trabalho, foco, organização e direcionamento, porque também é muito fácil não fazer nenhum dos dois”.

Deserto Saara Leo e Chel

Durante o período de viagens, o casal se reinventou profissionalmente e transformou a aventura em negócio. Publicaram quatro livros, sem grandes dificuldades.

O primeiro fala sobre a viagem no Continente Americano, o segundo abrange a Europa, no terceiro o foco é a África e o quarto traz detalhes da passagem pela Ásia e Oceania.

“Os livros tem capa dura e o maior desafio foi fazer a diagramação, tratar as fotos, porque  não era algo que sabíamos fazer”.

Papo com Locais

Após quatro anos na estrada, eles retornaram ao Brasil e encantam o público com palestras motivadoras e que provam que fazer o que gosta é possível, mas é preciso agir.

“Passamos por vários locais, os mais variados, desde pontos turísticos como Paris, Roma e Miami até os lugares mais exóticos do mundo como a Coreia do Norte, Índia e Etiópia. Quem for na palestra vai saber nossa história em detalhes e sair de lá com a certeza de que tudo é possível”.

Você acha que eles vão parar? Não. Já estão planejando a próxima viagem. Quer saber mais sobre o casal: http://www.viajologoexisto.com.br/

Livro mostra a riqueza de Ribeirão no século passado

Por jucimara.pauda em 19/06/2017

Quantas vezes você já passou pelo Centro de Ribeirão Preto? Eu aposto que milhares de vezes, mas você já parou para olhar os prédios a sua volta? Já imaginou que por ali aconteceram milhares de fatos históricos e que contribuíram para Ribeirão Preto ser a cidade que abriga você e sua família.
O jornalista José Manuel Lourenço, do A Cidade, caminhou pelo Centro, se encantou pelo Quarteirão Paulista e resolveu contar a história desse espaço tão importante para a formação do território ribeiraopretano.
Ele buscou informações no arquivo do jornal A Cidade e no Arquivo Histórico de Ribeirão Preto. Foram 4300 horas de trabalho entre pesquisas e entrevistas.
Livro sem frescura – Como nasceu a ideia do livro sobre o quarteirão Paulista?
José Manuel – A ideia de se fazer o livro surgiu do interesse do interesse que sempre tive com questões mais amplas, ligadas a urbanismo e, de modo mais específico, as que envolvem cultura e patrimônio histórico, a sua preservação e a criação de formas de se transformar um determinado bem histórico em algo que possa ser usufruído pela população.
Livro sem frescura – Você recebeu a inspiração de alguém?
José Manuel – Nesse processo, acabei conversando com diversas pessoas, entre elas, a jornalista Dulce Neves, então presidente da Fundação Dom Pedro II. Foi dela a ideia de se fazer um livro que lembrasse os 90 anos do Palace, completados no ano passado. A partir daí, fiz um esqueleto do como seria o livro, um cronograma – que, obviamente, foi cumprido parcialmente, porque as palavras cronograma e jornalista são, em essência, incompatíveis – discuti com ela e outras pessoas algumas ideias gerais e comecei o trabalho.
Livro sem frescura – Quanto tempo você levou para preparar a obra? Tem como mensurar em horas o tempo de pesquisa e de entrevistas?
José Manuel – A produção do livro levou cerca de um ano e meio, entre pesquisas, entrevistas, leituras de teses e dissertações e a escrita, propriamente dita. Sobre as horas de trabalho, vamos ver: 18 meses dão 540 dias e, se fizermos uma média de oito horas de trabalho por dia, são cerca de 4.300 horas de trabalho. É, pensando dessa forma, foi um bocado bom de horas.
Livro sem frescura – Você pesquisou no arquivo do jornal que registra há mais de cem anos a história da cidade?
José Manuel – O arquivo do jornal A Cidade foi fundamental para a realização deste livro. Toda a primeira parte do livro, que descreve a Ribeirão Preto da década de 1920 e, de forma mais específica, na sua segunda metade, quando surge o Palace, foi feita a partir de informações recolhidas no arquivo do jornal. Ali, foi possível saber como era a Ribeirão Preto daquela época, o que se ouvia, o que se comia, quais eram as forças políticas da época, as relações pessoais, sociais, de poder. Enfim, as diversas edições do jornal me permitiram saber como era a verdadeira Ribeirão Preto. Sem a permissão de acesso a esse arquivo – e aqui é fundamental ressaltar a ajuda de Josué Suzuki – é bastante provável que a primeira parte do livro não tivesse sido possível.
Livro sem frescura –  Você também fez várias visitas ao Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Quantas vezes você já passou pelo Centro de Ribeirão Preto? Eu aposto que milhares de vezes, mas você já parou para olhar os prédios a sua volta? Já imaginou que por ali aconteceram milhares de fatos históricos e que contribuíram para Ribeirão Preto ser a cidade que abriga você e sua família?

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Quantas vezes você já passou pelo Centro de Ribeirão Preto? Eu aposto que milhares de vezes, mas você já parou para olhar os prédios a sua volta? Já imaginou que por ali aconteceram milhares de fatos históricos e que contribuíram para Ribeirão Preto ser a cidade que abriga você e sua família?

O jornalista José Manuel Lourenço, do A Cidade, caminhou pelo Centro, se encantou pelo Quarteirão Paulista e resolveu contar a história desse espaço tão importante para a formação do território ribeirão-pretano. Ele lançou durante a Feira do Livro a obra “Palace Hotel, Café, Poder e Política em Ribeirão Preto”.

Para escrever a obra, o escritor  buscou informações no arquivo do jornal A Cidade e no Arquivo Histórico de Ribeirão Preto. Foram 4300 horas de trabalho entre pesquisas e entrevistas.

A grande inspiração para a empreitada foi a filha dele: a famosa Duda que com seus olhos brilhantes de alegria apoiou o pai na aventura literária.

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Livro sem frescura – Como nasceu a ideia do livro sobre o quarteirão Paulista?

José Manuel - A ideia de se fazer o livro surgiu do interesse do interesse que sempre tive com questões mais amplas, ligadas a urbanismo e, de modo mais específico, as que envolvem cultura e patrimônio histórico, a sua preservação e a criação de formas de se transformar um determinado bem histórico em algo que possa ser usufruído pela população.

Livro sem frescura – Você recebeu a inspiração de alguém?

José Manuel – Nesse processo, acabei conversando com diversas pessoas, entre elas, a jornalista Dulce Neves, então presidente da Fundação Dom Pedro II. Foi dela a ideia de se fazer um livro que lembrasse os 90 anos do Palace, completados no ano passado. A partir daí, fiz um esqueleto do como seria o livro, um cronograma – que, obviamente, foi cumprido parcialmente, porque as palavras cronograma e jornalista são, em essência, incompatíveis – discuti com ela e outras pessoas algumas ideias gerais e comecei o trabalho.

Livro sem frescura – Você pesquisou no arquivo do jornal que registra há mais de cem anos a história da cidade?

José Manuel – O arquivo do jornal A Cidade foi fundamental para a realização deste livro. Toda a primeira parte do livro, que descreve a Ribeirão Preto da década de 1920 e, de forma mais específica, na sua segunda metade, quando surge o Palace, foi feita a partir de informações recolhidas no arquivo do jornal. Ali, foi possível saber como era a Ribeirão Preto daquela época, o que se ouvia, o que se comia, quais eram as forças políticas da época, as relações pessoais, sociais, de poder. Enfim, as diversas edições do jornal me permitiram saber como era a verdadeira Ribeirão Preto. Sem a permissão de acesso a esse arquivo – e aqui é fundamental ressaltar a ajuda de Josué Suzuki – é bastante provável que a primeira parte do livro não tivesse sido possível.

Livro sem frescura –  Você também fez várias visitas ao Arquivo Histórico de Ribeirão Preto …

José Manuel - Por uma questão de justiça, também devo reconhecer a importância vital que o acervo do arquivo histórico da cidade para a produção do livro. Grande parte das fotos foram cedidas pelo arquivo, assim como grande parte dos textos e teses que usei para conhecer um pouco melhor a cidade no começo do século passado. Funcionários como o Mauro, a Isabel e o Arthur foram de uma paciência budista comigo, nesse ano e meio de trabalho.

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Livro sem frescura – . Como você selecionou os assuntos que seriam colocados no livro?

José Manuel - Sobre a seleção dos assuntos, optei por separá-los em grandes áreas: política, cultura, social, nacional, economia e propaganda (anúncios). Cada notícia que lia no jornal, entre 1921 e 1927, era classificada dentro dessas áreas para que, ao final, pudesse ter uma ideia mais completa do que acontecia. No total, registrei em uma planilha de cálculos cerca de 900 notícias do jornal, daqueles anos.

Livro sem frescura – Como era a cidade no século passado?

José Manuel - Uma das coisas mais interessantes que surgiu dessa compilação de informações foi a possibilidade de ter uma ideia geral de como era a cidade: um local extremamente rico, vibrante culturalmente, com uma elite poderosa e consciente do seu poder, mas, ao mesmo tempo, bastante injusta. São feitas diversas referências a casos de mendicância e de discriminação racial e espacial, sobretudo nas seções de polícia.

Livro sem frescura – O comércio já era forte naquela época?

José Manuel – Outro ponto interessante que surgiu dessa reunião de dados foi o perfil do comércio de Ribeirão Preto, que obtive a partir da digitação de todos os estabelecimentos comerciais existentes na cidade, presentes no Imposto sobre o Comércio, publicado no A Cidade. Por ali, foi possível perceber, por exemplo, que em 1926, quase a metade do comércio de Ribeirão estava concentrada na região central e, dessa metade, a grande maioria nas ruas General Osório, Saldanha Marinho, Duque de Caxias, sobretudo.

Essa tabulação de dados também mostrou que, os impostos pagos pelo principal empresário da cidade, Antonio Diederichsen, eram equivalentes à soma dos impostos pagos pelos dois maiores produtores de café da época, a Cia. Agrícola F. Schmidt e a Cia. Agrícola Dumont.

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Livro sem frescura – Que paralelo você faz do quarteirão paulista de ontem e de hoje?

José Manuel - O Quarteirão Paulista da década de 1930, quando se juntam o Theatro Pedro II e o Edifício Meira Junior ao Palace Hotel, era a expressão do poder da elite econômica e política da época. Não se pode esquecer que Ribeirão Preto, naquela época, vivia em torno da praça 15 de Novembro. Era ela que definia a cidade, em termos culturais e políticos. Era nas suas imediações que existiam os casarões e palacetes dos principais coronéis do café e empresários, era ali que havia o Teatro Carlos Gomes, a Sociedade Recreativa, o palacete Innecchi, a igreja (um pouco mais distante) e era na praça 15 que se realizavam os grandes eventos. Portanto, o Quarteirão Paulista, naquela época, era mais um símbolo, na minha opinião, de uma Ribeirão Preto que se queria mostrar à altura de grandes centros internacionais como Paris e Londres. Nunca é demais lembrar que, naquela época, Ribeirão Preto era conhecido como Petite Paris.

Livro sem frescura – E o quarteirão paulista de hoje ?

José Manuel – Hoje, me parece que o Quarteirão Paulista permanece como um marco simbólico, embora com sentido distinto daquele que falei acima. Para mim, hoje, o Quarteirão adquiriu uma relevância grande para a cidade, como o local privilegiado que define a identidade do ribeirão-pretano. Pode-se dizer que, de certa forma, a cidade se apropriou do local. Acho que todo o processo de tombamento e restauro do teatro teve muito a ver com isso, na medida em que acordou e envolveu toda a cidade para a necessidade de mantermos vivos os nossos símbolos, que são tão importantes para que nos reconheçamos como ribeirão-pretanos. O tombamento do Palace, praça 15 e do Meira Junior, pode-se dizer que fecharam o círculo.

CAPA-LIVRO PALACE-FINAL (1)

Livro sem frescura -Teve alguma história que impressionou você?

José Manuel - Da metade para o final da produção do livro, algumas coisas me chamaram a atenção, sobretudo o papel desempenhado pelo grande capital cafeeiro: a capacidade que teve em abrir novas frentes de negócios. Quando se fala em coronéis do café, temos uma ideia meio estereotipada de um senhor bronco, de botas sujas e mal instruído. O que se percebe é que as coisas não são bem assim. O capital cafeeiro esteve por trás de importantes obras em Ribeirão Preto, como a construção da Metalúrgica, Força e Luz, da própria Rádio Club (indiretamente), entre outras. A elite cafeeira da época salvaguardou muito bem o café como fonte principal de renda, mas não se limitou a ele. Isso é muito interessante.

Livro sem frescura – E dos grandes fazendeiros da cidade a história de qual você destaca envolvido na história do quarteirão paulista?

José Manuel – Ao mesmo tempo, temos uma figura ímpar nesse sentido que é o coronel Francisco da Cunha Diniz Junqueira, que chamo de supercoronel no livro. Ele foi definido como uma pessoa bastante bem instruída, sofisticada, de fino trato – obviamente quando as coisas lhe convinham – e em torno do qual surgiu uma verdadeira rede de influências muito importante e decisiva para afirmar Ribeirão Preto como uma das cidades mais importantes do país naquela época. Ao unir café e política em torno do Partido Republicano Paulista, ele e outros como Macedo Bittencourt, Veiga Miranda, Aurélio de Gusmão, Adalberto Roxo, Meira Junior, Altino Arantes e Camilo de Mattos, definiram o futuro de Ribeirão Preto.

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Livro sem frescura – Você passou a lupa pela história arquitetônica de Ribeirão. Os prédios históricos da cidade vão ser preservados? Existe esperança?

José Manuel - Bem, esperança sempre existe e é ela que nos move. Mas, se formos ver a quantidade de prédios históricos abandonados e aqueles que já foram postos abaixo, em comparação com os que foram restaurados e que têm um uso, digamos, social, o cenário é desolador. Temos bons começos que são as leis de proteção, mas são só isso. O período que vai do momento do tombamento até a efetiva restauração e a criação de um uso econômico e social para os imóveis tombados é excessivo e faz com que o processo de degradação desses imóveis se acelere.

Livro sem frescura – Os nossos dirigentes estão preocupados com o patrimônio histórico?

José Manuel – Temos uma classe política local minimamente preocupada com isso, sem uma visão macro de cultura e, às vezes, com interesses que conflitam com o próprio processo de tombamento, o que torna a situação mais séria ainda.

Acredito, realmente, que o poder público tem um papel fundamental na criação de caminhos que possam levar não apenas à preservação desses imóveis, como, principalmente, em fazer com que, uma vez restaurados, possam ter uma finalidade que lembre a todos nós, que aqueles prédios fazem parte da nossa história e que podem nos ensinar muito a respeito no nosso futuro.

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Livro sem frescura – O correto seria mostrar a população o que existe de história no Centro?

José Manuel - Porque, se um estudante, uma criança de oito ou dez anos, souber o que é aquele edifício, conhecer a sua história e como esse prédio, de certa forma, tem uma relação com a sua vida, com certeza ela construir com ele e com vários outros prédios históricos da cidade um relacionamento que não seja o de indiferença, como o que existe hoje.

Com isso, não vai pichar esse prédio, não vai jogar lixo no chão, passa a assumir com esses imóveis uma relação de responsabilidade ou, o que é mais importante, passar a desenvolver, dentro de si, os conceitos básicos de cidadania.

Livro sem frescura – Falta consciência aos políticos sobre a preservação?

José Manuel - É a isso que me refiro quando falo da pobreza intelectual dos nossos representantes políticos: falta essa percepção de que o restauro de um prédio não se limita à sua parte física, de reconstruir tijolos, janelas e portas. É todo um processo de reafirmação da nossa identidade, como ribeirão-pretanos.

Falta, em síntese, uma visão mais geral de cultura e da sua importância como um fator que pode revolucionar a vida de uma comunidade. Isso, para mim, não existe, hoje, nos poderes Executivo e Legislativo locais. O que é bastante triste.

Livro sem frescura – Falta a percepção de pertencer a cidade ?

José Manuel – A historiadora Lilian Rosa tem uma expressão perfeita para definir essa situação: se não forem criadas essas relações da pessoa com a sua cidade, ela é, no máximo, um passante por ela, alguém que não cria laços. E, as consequências desse tipo de situação, todos sabemos quais são.

Dicas de livros e vinhos para o final de semana

Por jucimara.pauda em 16/06/2017

O jornalista Renatto Prieto é um amante da culinária, dos bons vinhos, das viagens e da literatura.
Ele criou um grupo no Facebook, a Turma do Vinho de Ribeirão Preto, onde alia todas estas paixões.
Na entrevista abaixo ele conta como unir vinho e livros e ainda dá dicas para você apreciar os grandes momentos da vida.
Nasce a primeira paixão
Quando criança adorava ler livros sobre história de países e de mistérios, meus grandes incentivadores foram os professores do ensino fundamental da minha escola onde estudei até o oitavo ano em Serrana. Naquela época, não tinha internet e o jeito era visitar a biblioteca municipal há cada 15 dias em busca dos livros. Muito tempo passou e o que ficou foram ótimas lembranças como as histórias que mais me marcaram.
Paixão eterna
Por incrível que pareça, um livro que que sou apaixonado por ele até hoje é “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry. Acredito que seja um convite para estimular a imaginação dos pequenos e de dar um certo puxão de orelha nos adultos que às vezes esquecem da falta de criatividade. A diferença no ponto de vista do príncipe com as adversidades ao seu redor e a moral do conto é capaz de surpreender e cativar muitos leitores que assim como eu jamais esquecerá personagens como o pequeno príncipe, a raposa e a rosa e o baobá. Muito menos as frases que fidelizam a ideia do principezinho.
Ligação
É tão engraçado a minha ligação com esse livro que acredito que tenha sido a primeira história que realmente marcou a minha infância. Já ganhei edições de amigos, consegui um com os desenhos realizados pelo próprio autor, assisti o filme e quando fui à Paris, visitei o museu Grévin que homenageia essa personagem que tanto conquista gerações.
Mistério
Já aos dezoito anos eu devorava contos como os de Agatha Christie entre eles um que me marcou bastante foi “Um brinde de Cianureto”, narra a história de uma linda mulher que ao comemorar seu aniversário em um luxuoso hotel, recebe vários convidados, entre eles alguns que nem gostavam tanto assim da anfitriã. O desfecho da noite não poderia ser outro: Rosemary morre subitamente após ingerir uma taça de champagne com cianureto. Tudo indica que foi um suicídio…
Em um inusitado jogo literário, a rainha do suspense dá a cada um dos personagens a chance de contar sua versão daquele dia, levantando suspeitas que podem colocar em xeque a razão da morte de Rosemary. É um suspense empolgante e envolvente. Recomendo a leitura.
Vinhos e livros
EuO final de semana chegou recheado de feriado e um clima propício para tomar um bom vinho. Pensando nessa dupla eu resolvi entrevistar o jornalista Renatto Prieto, um amante da culinária, dos bons vinhos, das viagens e da literatura. Ele criou um grupo no Facebook, a Turma do Vinho de Ribeirão Preto, onde alia todas essas paixões. Na entrevista abaixo ele conta como unir vinho e livros e ainda dá dicas para você apreciar os grandes momentos da vida saboreando uma bebida que tem feito sucesso há milhares de anos. estou fascinado por um que ganhei de duas grandes amigas. É o “Vinhos – uma jornada pelo rico universo da bebida mais apreciada do mundo”, Andrew Jefford. Um verdadeiro manual recheado de informações de como são produzidos os rótulos mais importantes, vai de país em país contando desde como é o solo, o método de produção, o tipo de uva que é produzido além de ensinar a degustar, harmonizar e identificar suas características. É rico em fotografias e após a leitura, serve até como peça de decoração.
Momento do vinho
Para mim não tem nada melhor do que chegar no fim de semana e dedicar um tempo só para relaxar e desligar da correria do dia a dia. É nessa hora que escolho um vinho, uma boa roda de amigos e curto cada gole dessa bebida que cada vez mais me surpreende e me traz conhecimento. Você passa a olhar a taça com outros olhos, aguçam os sentidos como o paladar e o olfato, estimula a imaginação e é um ótimo exercício para explorar novas sensações. Claro que com moderação.
Momento do livro
Quando estou só, a minha companhia é sim um bom livro, adoro histórias e a nossa em especial me encanta. Mary Del Priore e Laurentino Gomes são meus preferidos. Os de fatos das Primeira e Segunda Guerras Mundiais também são meus preferidos. Recentemente li “A Costureira de Dachau” Mary Chamberlain e confesso que me tocou bastante. O conto é tão real que é impossível não se emocionar diante do que Ada Vaughn passa.
Dicas de vinho
Indicar um vinho é uma tarefa muito difícil porque cada pessoa tem um gosto muito peculiar. Alguns, preferem vinhos mais suaves, doces e fracos. Outros adoram um vinho mais encorpado, forte e com aromas marcantes. Tem gente que toma apenas Vinho Branco ou Rosé e é aí que a confusão está formada… como agradar a todos? Vou tentar, indicando aos iniciantes, vinhos mais leves de fácil degustação como o Merlot, Cabernet Sauvignon e o Carmènére. São uvas saborosas e você encontra rótulos a preços bem acessíveis. Os chilenos como o “Pérez Cruz”, da vinícola Pircas de Liguai e o “3 Medalhas Carmènére”, da vinícola Santa Rita são ótimas pedidas. Para quem gosta de vinho branco um bom é o popular português “Casal Garcia”, leve, com notas frutadas e acidez agradável.
Livro para os amantes do vinho
Eu recomendo um livro que é um verdadeiro guia rápido para quem quer aprender em pouco tempo mais dessa bebida. É o “Expert em Vinhos em 24 horas” Jancis Robinson da editora Planeta. Tem uma ótima linguagem, explica como escolher a garrafa certa e os tipos de uvas que existem. A agrada tanto quem não sabe nada de vinhos até os considerados “Superdegustadores”, aqueles que já dominam essa arte.

O final de semana chegou  e trouxe um clima propício para você ler um livro especial e tomar um bom vinho. Pensando nessa dupla eu resolvi entrevistar o jornalista Renatto Pietro, um amante da culinária, dos bons vinhos, das viagens e da literatura. Ele criou um grupo no Facebook, a Turma do Vinho de Ribeirão Preto, onde alia todas essas paixões. Na entrevista abaixo, ele conta como unir vinho e livros e ainda dá dicas para você apreciar os grandes momentos da vida saboreando uma bebida que tem feito sucesso há milhares de anos.

Renatto Pietro

Nasce a primeira paixão

Quando criança adorava ler livros sobre história de países e de mistérios, meus grandes incentivadores foram os professores do ensino fundamental da minha escola onde estudei até o oitavo ano, em Serrana. Naquela época, não tinha internet e o jeito era visitar a biblioteca municipal há cada 15 dias em busca dos livros. Muito tempo passou e o que ficou foram ótimas lembranças como as histórias que mais me marcaram.

Paixão eterna

Por incrível que pareça, um livro que que sou apaixonado por ele até hoje é “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry. Acredito que seja um convite para estimular a imaginação dos pequenos e de dar um certo puxão de orelha nos adultos que às vezes esquecem da falta de criatividade. A diferença no ponto de vista do príncipe com as adversidades ao seu redor e a moral do conto é capaz de surpreender e cativar muitos leitores que assim como eu jamais esquecerão personagens como o pequeno príncipe, a raposa, a rosa e o baobá. Muito menos as frases que fidelizam a ideia do principezinho.

O pequenoprincipe

Vidas entrelaçadas

É tão engraçado a minha ligação com esse livro que acredito que tenha sido a primeira história que realmente marcou a minha infância. Já ganhei edições de amigos, consegui um com os desenhos realizados pelo próprio autor, assisti ao filme e quando fui à Paris, visitei o museu Grévin que homenageia essa personagem que tanto conquista gerações.

Mistério

Aos 18 anos eu devorava contos como os de Agatha Christie, entre eles, um que me marcou bastante foi “Um brinde de Cianureto”, que narra a história de uma linda mulher que ao comemorar seu aniversário em um luxuoso hotel, recebe vários convidados, entre eles, alguns que nem gostavam tanto assim da anfitriã. O desfecho da noite não poderia ser outro: Rosemary morre subitamente após ingerir uma taça de champagne com cianureto. Tudo indica que foi um suicídio…

Em um inusitado jogo literário, a rainha do suspense dá a cada um dos personagens a chance de contar sua versão daquele dia, levantando suspeitas que podem colocar em xeque a razão da morte de Rosemary. Um suspense empolgante e envolvente. Recomendo a leitura.

Livros e vinhos

Vinhos e livros

Eu estou fascinado por um que ganhei de duas grandes amigas. É o “Vinhos – uma jornada pelo rico universo da bebida mais apreciada do mundo”, de Andrew Jefford. Um verdadeiro manual recheado de informações de como são produzidos os rótulos mais importantes. Vai de país em país contando desde como é o solo, o método de produção, o tipo de uva que é produzido além de ensinar a degustar, harmonizar e identificar suas características. É rico em fotografias e após a leitura, serve até como peça de decoração.

Momento do vinho

Para mim não tem nada melhor do que chegar no fim de semana e dedicar um tempo só para relaxar e desligar da correria do dia a dia. É nessa hora que escolho um vinho, uma boa roda de amigos e curto cada gole dessa bebida que cada vez mais me surpreende e me traz conhecimento. Você passa a olhar a taça com outros olhos, aguçam os sentidos como o paladar e o olfato, estimula a imaginação e é um ótimo exercício para explorar novas sensações. Claro que com moderação.

Momento do livro

Quando estou só, a minha companhia é sim um bom livro, adoro histórias e a nossa em especial me encanta. Mary Del Priore e Laurentino Gomes são meus preferidos. Também gosto de ler as obras que mostram os  fatos das Primeira e Segunda Guerras Mundiais. Recentemente li “A Costureira de Dachau”, de Mary Chamberlain e confesso que me tocou bastante. O conto é tão real que é impossível não se emocionar diante do que Ada Vaughn passa.

vinhos

Dicas de vinho

Indicar um vinho é uma tarefa muito difícil porque cada pessoa tem um gosto muito peculiar. Alguns, preferem vinhos mais suaves, doces e fracos. Outros adoram um vinho mais encorpado, forte e com aromas marcantes. Tem gente que toma apenas vinho branco ou rosé e é aí que a confusão está formada… como agradar a todos? Vou tentar, indicando aos iniciantes, vinhos mais leves de fácil degustação como o Merlot, Cabernet Sauvignon e o Carmènére. São uvas saborosas e você encontra rótulos a preços bem acessíveis. Os chilenos como o “Pérez Cruz”, da vinícola Pircas de Liguai e o “3 Medalhas Carmènére”, da vinícola Santa Rita são ótimas pedidas. Para quem gosta de vinho branco um bom é o popular português “Casal Garcia”, leve, com notas frutadas e acidez agradável.

Livro para os amantes do vinho

Eu recomendo um livro que é um verdadeiro guia rápido para quem quer aprender em pouco tempo mais dessa bebida. É o “Expert em Vinhos em 24 horas”, de  Jancis Robinson, da Editora Planeta. Tem uma ótima linguagem, explica como escolher a garrafa certa e os tipos de uvas que existem. Uma obra que agrada tanto quem não sabe nada de vinhos até os considerados “superdegustadores”, aqueles que já dominam essa arte.

Alex Dias divide sua a paixão pela literatura em encontro na biblioteca Padre Euclides

Por jucimara.pauda em 10/06/2017

Com o avô ele aprendeu a enxergar a beleza nos pequenos detalhes da vida. Aos oito anos escreveu o primeiro poema de amor. Apaixonado pelas palavras, ele enveredou pelo mundo da literatura e virou poeta. O amor pelas artes é tão grande que ele resolveu partilhá-lo com o mundo e criou o Osnáuticos, uma empresa que fomenta e difunde a poesia, a literatura, a música e as artes, através de shows, performances, bate-papos e mediações de leitura.
Estou falando de Alex Dias poeta, escritor, ator e autor do Livro “Lírica Abissal”, lançado pela editora Urutau em 2016.
Neste sábado, às  14 horas, ele fala sobre sua trajetória literária e indica como sugestão de leitura, a obra dos poetas russos Marina Tsvetáieva e o poeta Guenádi Aigui. O evento acontece na biblioteca Padre Euclides, às 14 horas.
Eu não aguentei de curiosidade e resolvi falar com o Alex sobre sua paixão pela literatura. É claro, que eu também não vou faltar ao encontro e aconselho você a ir também, porque com certeza é imperdível.
A família e os livros
Venho de uma família, como a maioria das famílias brasileiras, com pouco habito de leitura. Mas que, ao mesmo tempo, sempre me incentivou às experiências estéticas: ver filmes, ir ao teatro, me lançar às artes. Com isto, os livros foram chegando e tomando conta. Destaco a importância dos professores e dos amigos apaixonados por literatura, que se tornam, com o tempo, os grandes mestres na arte de nos abrir horizontes.
Amor pela simplicidade
Neste universo, uma pessoa muito importante em minha trajetória foi meu avô, homem simples, semianalfabeto e que tinha um ferro-velho. No meio de tantas coisas que havia em sua casa-empresa, ele foi me ensinando, a seu modo, a encontrar beleza em coisas simples. E foi assim, que fui descobrindo que a literatura seria minha companheira inseparável, pois dava conta de qualquer universo possível. A existência das coisas se dá pela linguagem, então fui aprendendo os nomes das coisas e também a me aventurar em nomeá-las.
Primeiras poesias
Eu não consigo ter a prodigiosa memória que tinha o Vinícius de Moraes, por exemplo, que nos contou e mostrou seus versos escritos aos sete anos. Neste caso, acho que sou mais da linha do Mário Quintana que, em um de seus poemas, nos disse para não datar as poesias e que: “Um poema não pertence ao Tempo”. Mas me recordo de ser por volta dos oito anos e, assim como o poema do Vinícius, escrevi um poema de amor.
Nasce Osnáuticos
Osnáuticos é uma empresa que fomenta e difunde a poesia, a literatura, a música e as artes, através de shows, performances, bate-papos, mediações de leitura etc. Osnáuticos surgiu desse desejo de partilhar conhecimento e, sobretudo, de gerar encontros entre pessoas que amam poesia, que amam a palavra: falada, cantada, sempre pulsante.
Encontro de apaixonados
Comigo, somaram-se artistas de várias áreas para realizarmos inúmeros projetos, como, por exemplo, os violonistas Daniel Tápia e Gabriel Selvage, a cantora Alana Moraes e o percursionista Lucas Brogiolo.  Atualmente, junto desses artistas, estou realizando o espetáculo de poesia e música “A Sirene das Palavras”, que leva minha obra e também a de alguns autores que influenciaram a minha trajetória.
Arte soma forças
Essa fala, esse encontro no “Sábado Só Letras”, projeto realizado pela Biblioteca Padre Euclides, nos ajuda também a cumprir uma das nossas contrapartidas do nosso projeto, que é sempre levar uma atividade educativa antes ou após a apresentação do show. Neste caso, faremos uma apresentação logo, logo, na cidade de Porto Ferreira, mas não perderia a oportunidade de aceitar o convite para compartilhar com o público da biblioteca este encontro literário e que considero fundamental neste nosso momento de tantas crises. A arte serve pra gente somar forças e iluminar o presente e requerer um futuro mais sensível, menos duro.
Escritores preferidos
A lista é imensa e certamente eu esqueceria muitos deles, mesmo por falta de espaço nesta matéria. Então citarei alguns que estou visitando continuamente por conta de minha pesquisa de mestrado em crítica e teorias da poesia que realizo na Unesp de Araraquara, com orientação da minha querida pesquisadora e escritora Maria Lúcia Outeiro. São eles: Fernando Pessoa, um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa. Seus livros me chegaram quando eu era ainda menino, o “Livro do Desassossego”, por exemplo, de seu semi-heterônimo Bernardo Soares, eu li pela primeira vez aos 11 anos – e com toda a dificuldade que a idade me impunha, mas também com muita vontade de desvendar aqueles mistérios ali colocados. E nunca mais desgrudei do autor e de suas criações. Os poetas americanos Edgar Allan Poe, Ezra Pound, o poeta russo Maiakóvski, o mexicano Octávio Paz, além dos poetas brasileiros João Cabral de Melo Neto e Haroldo de Campos. Nomes que vigoram entre os grandes poetas e também pensadores das teorias literárias.
Frase literária
Um dos poemas que muito me falam é “Mattina”, do italiano Giuseppe Ungaretti :  “M’illumino / d’immenso” .
Poesia russa
Escolhi falar sobre a poeta Marina Tsvetáieva e o poeta Guenádi Aigui, ambos russos e pertencentes a um período da história muito duro, entre guerras e Revolução Russa. Em um momento em que muitos saem às ruas pedindo a volta da Ditadura Militar, por exemplo, acho que esta é a minha forma de contribuir na tentativa de esclarecer que a volta de momentos históricos como esses, de grande repressão e barbárie, não deve sem sequer cogitados.

Com o avô ele aprendeu a enxergar a beleza nos pequenos detalhes da vida. Aos oito anos escreveu o primeiro poema de amor. Apaixonado pelas palavras, ele enveredou pelo mundo da literatura e virou poeta.

O amor pelas artes é tão grande que ele resolveu partilhá-lo com o mundo e criou o Osnáuticos, uma empresa que fomenta e difunde a poesia, a literatura, a música e as artes, através de shows, performances, bate-papos e mediações de leitura.

Estou falando de Alex Dias poeta, escritor, ator e autor do Livro “Lírica Abissal”, lançado pela editora Urutau em 2016.

Neste sábado, às  14 horas, ele fala sobre sua trajetória literária e indica como sugestão de leitura, a obra dos poetas russos Marina Tsvetáieva e o poeta Guenádi Aigui. O evento acontece na biblioteca Padre Euclides, na rua Visconde de Inhaúma, 490, às 14 horas.

Eu não aguentei esperar e resolvi falar com o Alex sobre sua paixão pela literatura. É claro, que eu também não vou faltar ao encontro e aconselho você a ir também, porque com certeza é imperdível.

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A família e os livros

Venho de uma família, como a maioria das famílias brasileiras, com pouco habito de leitura. Mas que, ao mesmo tempo, sempre me incentivou às experiências estéticas: ver filmes, ir ao teatro, me lançar às artes. Com isto, os livros foram chegando e tomando conta. Destaco a importância dos professores e dos amigos apaixonados por literatura, que se tornam, com o tempo, os grandes mestres na arte de nos abrir horizontes.

Amor pela simplicidade

Neste universo, uma pessoa muito importante em minha trajetória foi meu avô, homem simples, semianalfabeto e que tinha um ferro-velho. No meio de tantas coisas que havia em sua casa-empresa, ele foi me ensinando, a seu modo, a encontrar beleza em coisas simples. E foi assim, que fui descobrindo que a literatura seria minha companheira inseparável, pois dava conta de qualquer universo possível. A existência das coisas se dá pela linguagem, então fui aprendendo os nomes das coisas e também a me aventurar em nomeá-las.

Primeiras poesias

Eu não consigo ter a prodigiosa memória que tinha o Vinícius de Moraes, por exemplo, que nos contou e mostrou seus versos escritos aos sete anos. Neste caso, acho que sou mais da linha do Mário Quintana que, em um de seus poemas, nos disse para não datar as poesias e que: “Um poema não pertence ao Tempo”. Mas me recordo de ser por volta dos oito anos e, assim como o poema do Vinícius, escrevi um poema de amor.

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Nasce Osnáuticos

Osnáuticos é uma empresa que fomenta e difunde a poesia, a literatura, a música e as artes, através de shows, performances, bate-papos, mediações de leitura etc. Osnáuticos surgiu desse desejo de partilhar conhecimento e, sobretudo, de gerar encontros entre pessoas que amam poesia, que amam a palavra: falada, cantada, sempre pulsante.

Encontro de apaixonados

Comigo, somaram-se artistas de várias áreas para realizarmos inúmeros projetos, como, por exemplo, os violonistas Daniel Tápia e Gabriel Selvage, a cantora Alana Moraes e o percursionista Lucas Brogiolo.  Atualmente, junto desses artistas, estou realizando o espetáculo de poesia e música “A Sirene das Palavras”, que leva minha obra e também a de alguns autores que influenciaram a minha trajetória.

Arte soma forças

Essa fala, esse encontro no “Sábado Só Letras”, projeto realizado pela Biblioteca Padre Euclides, nos ajuda também a cumprir uma das nossas contrapartidas do nosso projeto, que é sempre levar uma atividade educativa antes ou após a apresentação do show. Neste caso, faremos uma apresentação logo, logo, na cidade de Porto Ferreira, mas não perderia a oportunidade de aceitar o convite para compartilhar com o público da biblioteca este encontro literário e que considero fundamental neste nosso momento de tantas crises. A arte serve pra gente somar forças e iluminar o presente e requerer um futuro mais sensível, menos duro.

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Escritores preferidos

A lista é imensa e certamente eu esqueceria muitos deles, mesmo por falta de espaço nesta matéria. Então citarei alguns que estou visitando continuamente por conta de minha pesquisa de mestrado em crítica e teorias da poesia que realizo na Unesp de Araraquara, com orientação da minha querida pesquisadora e escritora Maria Lúcia Outeiro. São eles: Fernando Pessoa, um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa. Seus livros me chegaram quando eu era ainda menino, o “Livro do Desassossego”, por exemplo, de seu semi-heterônimo Bernardo Soares, eu li pela primeira vez aos 11 anos – e com toda a dificuldade que a idade me impunha, mas também com muita vontade de desvendar aqueles mistérios ali colocados. E nunca mais desgrudei do autor e de suas criações. Os poetas americanos Edgar Allan Poe, Ezra Pound, o poeta russo Maiakóvski, o mexicano Octávio Paz, além dos poetas brasileiros João Cabral de Melo Neto e Haroldo de Campos. Nomes que vigoram entre os grandes poetas e também pensadores das teorias literárias.

Frase literária

Um dos poemas que muito me falam é “Mattina”, do italiano Giuseppe Ungaretti :  “M’illumino / d’immenso” .

Poesia russa

Escolhi falar sobre a poeta Marina Tsvetáieva e o poeta Guenádi Aigui, ambos russos e pertencentes a um período da história muito duro, entre guerras e Revolução Russa. Em um momento em que muitos saem às ruas pedindo a volta da Ditadura Militar, por exemplo, acho que esta é a minha forma de contribuir na tentativa de esclarecer que a volta de momentos históricos como esses, de grande repressão e barbárie, não deve sem sequer cogitados.

Quitutes de Cora Coralina adoçaram a Feira do Livro de Ribeirão

Por jucimara.pauda em 09/06/2017

” Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. A frase é da poeta Cora Coralina e pensando nela a nutricionista Aline Cristiane Penati Marchetti, do Sesi Ribeirão Preto, criou a oficina Quitutes de Cora Coralina, especialmente para a Feira do Livro.
“Na oficina tentamos traduzir  a paixão de Cora pela culinária, principalmente pelos doces, ensinando duas das receitas que ela preparava na época em que tirava dessa arte o seu sustento”.
Durante o evento, o público conheceu quais eram os doces e quitutes preparados por Cora, como foi sua vida e ainda receberam orientações sobre a higiene durante o preparo culinário e provaram os doces.
Para quem quiser saber quais os doces preferidos da poeta e até arriscar fazer em casa, eis as receitas:
DOCE DE ABÓBORA
Ingredientes:
1 kg de abóbora
2 xícaras (chá) de açúcar
Cravos e canela em pau (1 colher (chá) de cravos inteiros ou 2 cascas)
2 xícaras (chá) de coco ralado
Modo de Preparo: Descasque a abóbora, corte-a em pedaços pequenos e lave-os. Coloque em uma panela grande juntamente com o açúcar, os cravos e a canela. Leve ao fogo, mexendo sempre. Quando a abóbora estiver desfeita, junte o coco ralado. Deixe apurar mais um pouco e retire do fogo. Dica: Substitua o coco fresco por 100g de coco desidratado.
DOCE DE BANANA
Ingredientes:
500g de banana-nanica
2 xícaras (chá) de açúcar
3 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 sachê de gelatina sem sabor, incolor
¾ xícara (chá) de água fria
Açúcar cristal
Modo de preparo: Junte a banana amassada com o açúcar e o chocolate e deixe apurar por 10 minutos. Hidrate a gelatina na água, conforme indicado na embalagem e junte à mistura anterior. Coloque em um recipiente retangular pequeno e leve para gelar por 2 horas. Corte em pedaços e passe no açúcar cristal. Acondicione em recipiente fechado.
DICA: Acrescente 100 g de coco ralado.
Receitas do  livro: “Receitinhas para você: Culinária Baiana”. SESI-SP

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“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. A frase é da poeta Cora Coralina e inspirou a nutricionista Aline Cristiane Penati Marchetti, do Sesi Ribeirão Preto, a criar a oficina de “Quitutes de Cora Coralina”, especialmente para a Feira do Livro.

“Na oficina tentamos traduzir  a paixão de Cora pela culinária, principalmente pelos doces, ensinando duas das receitas que ela preparava na época em que tirava dessa arte o seu sustento”, diz Aline.

Durante o evento, o público conheceu quais eram os doces e quitutes preparados por Cora, como foi sua vida, receberam orientações sobre a higiene durante o preparo culinário e provaram os doces.

Para quem quiser saber quais os doces preferidos da poeta e até arriscar fazer em casa, eis as receitas:

DOCE DE ABÓBORA

Ingredientes:

1 kg de abóbora

2 xícaras (chá) de açúcar

Cravos e canela em pau (1 colher (chá) de cravos inteiros ou 2 cascas)

2 xícaras (chá) de coco ralado

Modo de Preparo: Descasque a abóbora, corte-a em pedaços pequenos e lave-os. Coloque em uma panela grande juntamente com o açúcar, os cravos e a canela. Leve ao fogo, mexendo sempre. Quando a abóbora estiver desfeita, junte o coco ralado. Deixe apurar mais um pouco e retire do fogo. Dica: Substitua o coco fresco por 100g de coco desidratado.

DOCE DE BANANA

Ingredientes:

500g de banana-nanica

2 xícaras (chá) de açúcar

3 colheres (sopa) de chocolate em pó

1 sachê de gelatina sem sabor, incolor

¾ xícara (chá) de água fria

Açúcar cristal

Modo de preparo: Junte a banana amassada com o açúcar e o chocolate e deixe apurar por 10 minutos. Hidrate a gelatina na água, conforme indicado na embalagem e junte à mistura anterior. Coloque em um recipiente retangular pequeno e leve para gelar por 2 horas. Corte em pedaços e passe no açúcar cristal. Acondicione em recipiente fechado.

DICA: Acrescente 100 g de coco ralado.

Receitas do  livro: “Receitinhas para você: Culinária Baiana”. SESI-SP

Diego Lops de leitor a escritor ganhador do prêmio UFES

Por jucimara.pauda em 07/06/2017

O escritor Diego Lops se recorda da mãe lendo grandes clássicos para os filhos. Os irmãos dormiam, mas ele permanecia acordado. De leitor passou a escritor e lançou o livro “Pessoas partidas” que traz contos leves, irônicos, dramáticos que se passam em Porto Alegre, no Canadá, na Argentina, nos Estados Unidos e em outros cenários. A obra ganhou o III Prêmio Ufes de Literatura, na categoria Melhor Livro de Contos.
Jucimara Pauda – Como nasceu seu amor pela literatura?
Diego Lops – Minha relação com a literatura vem desde muito cedo. Antes de eu aprender a ler, toda noite minha mãe lia, para mim e meus irmãos, clássicos da literatura. Principalmente Tchekhov, Kafka, Erico Verissimo, Machado de Assis e outros. Meus irmãos adormeciam logo, mas eu ficava vidrado com aquela abundância de palavras, muitas das quais ouvia pela primeira vez nessas ocasiões. Mais tarde, já alfabetizado, comecei a ler de tudo, pois passava boa parte do período escolar enclausurado em bibliotecas, descobrindo mundos melhores e mais instigantes que aquele imposto pela tediosa educação formal.
Jucimara Pauda -Como foi a transição de leitor a escritor ?
Diego Lops  - Acho natural que, depois de muitos livros lidos, o leitor também queira se aventurar no universo ficcional. É como se aqueles milhões de palavras que você internalizou começassem a transbordar. Para você não perdê-las, começa a rearranjá-las à sua maneira no papel.
Jucimara Pauda -Quando você escreveu as primeiras linhas e a partir de quando você pensou em publicar?
Diego Lops – Escrevi as primeiras ficções ainda no primeiro grau (atual ensino médio). Na disciplina de artes precisávamos produzir peças de teatro originais todo ano. Como eu era extremamente tímido, passei a escrever o roteiro dessas peças, para não precisar atuar. A partir daí, continuei escrevendo contos, poesias e outras mentiras. Mas só pensei em publicar quando perdi a timidez.
Jucimara Pauda -Como foi o processo de criação de “Pessoas Partidas”?
Diego Lops – Esse livro aconteceu meio sem querer. Eu achava que meus contos ainda precisavam ser bastante retrabalhados para que atingissem uma qualidade de material publicável. Estava na época empenhado na finalização de um livro de não ficção, o Dicionário de Palavras Inexistentes, quando minha namorada sugeriu que me inscrevesse no Prêmio UFES de Literatura, que é um concurso de originais da Universidade Federal do Espírito Santo. Mesmo reticente, fiz uma rápida seleção dos contos que havia escrito nos últimos dois anos, favorecendo aqueles que se enquadrassem numa unidade temática, que é a de contar histórias de pessoas em situações-limite. Meses depois, quando já nem lembrava mais disso, recebi um telefonema informando que o Pessoas Partidas havia vencido na categoria Melhor Livro de Contos.
Jucimara Pauda -Planos para o futuro
Diego Lops – Num futuro mais imediato, quero publicar o Dicionário de Palavras Inexistentes e terminar um romance que está inacabado. No mais, continuarei escrevendo livros de contos.

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O escritor gaúcho Diego Lops se recorda da mãe lendo grandes clássicos para os filhos. Os irmãos dormiam, mas ele permanecia acordado. De leitor passou a escritor e lançou o livro “Pessoas partidas” que traz contos leves, irônicos, dramáticos e que têm como cenário Porto Alegre,  Canadá, Argentina e Estados Unidos. A obra ganhou o III Prêmio UFES (Universidade Federal do Espírito Santo) de Literatura, na categoria Melhor Livro de Contos.

Jucimara Pauda – Como nasceu seu amor pela literatura?

Diego LopsMinha relação com a literatura vem desde muito cedo. Antes de eu aprender a ler, toda noite minha mãe lia, para mim e meus irmãos, clássicos da literatura. Principalmente Tchekhov, Kafka, Erico Verissimo, Machado de Assis e outros. Meus irmãos adormeciam logo, mas eu ficava vidrado com aquela abundância de palavras, muitas das quais ouvia pela primeira vez nessas ocasiões. Mais tarde, já alfabetizado, comecei a ler de tudo, pois passava boa parte do período escolar enclausurado em bibliotecas, descobrindo mundos melhores e mais instigantes que aquele imposto pela tediosa educação formal.

Jucimara Pauda -Como foi a transição de leitor a escritor ?

Diego LopsAcho natural que, depois de muitos livros lidos, o leitor também queira se aventurar no universo ficcional. É como se aqueles milhões de palavras que você internalizou começassem a transbordar. Para você não perdê-las, começa a rearranjá-las à sua maneira no papel.

Jucimara Pauda -Quando você escreveu as primeiras linhas e a partir de quando você pensou em publicar?

Diego LopsEscrevi as primeiras ficções ainda no primeiro grau (atual ensino médio). Na disciplina de artes precisávamos produzir peças de teatro originais todo ano. Como eu era extremamente tímido, passei a escrever o roteiro dessas peças, para não precisar atuar. A partir daí, continuei escrevendo contos, poesias e outras mentiras. Mas só pensei em publicar quando perdi a timidez.

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Jucimara Pauda -Como foi o processo de criação de “Pessoas Partidas”?

Diego Lops – Esse livro aconteceu meio sem querer. Eu achava que meus contos ainda precisavam ser bastante retrabalhados para que atingissem uma qualidade de material publicável. Estava na época empenhado na finalização de um livro de não ficção, o Dicionário de Palavras Inexistentes, quando minha namorada sugeriu que me inscrevesse no Prêmio UFES de Literatura, que é um concurso de originais da Universidade Federal do Espírito Santo. Mesmo reticente, fiz uma rápida seleção dos contos que havia escrito nos últimos dois anos, favorecendo aqueles que se enquadrassem numa unidade temática, que é a de contar histórias de pessoas em situações-limite. Meses depois, quando já nem lembrava mais disso, recebi um telefonema informando que o Pessoas Partidas havia vencido na categoria Melhor Livro de Contos.

Jucimara Pauda – Você está escrevendo algum livro no momento?

Diego Lops – Num futuro mais imediato, quero publicar o Dicionário de Palavras Inexistentes e terminar um romance que está inacabado. No mais, continuarei escrevendo livros de contos.

Jerónimo Pizarro a maior autoridade mundial em Fernando Pessoa está na Feira do Livro

Por jucimara.pauda em 06/06/2017

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Você com certeza já ouviu ou leu “Tabacaria” um dos poemas mais famosos do poeta Fernando Pessoa.Esta é apenas uma ínfima parte do talento do grande mestre das letras, existe muito mais a ser descoberto.
Quem garante é o  colombiano Jerónimo Pizarro é a maior autoridade mundial em Fernando Pessoa. Ele esteva no salão de Ideias da Feira do Livro de Ribeirão Preto nesta terça-feira.
Pizarro lidera um grupo de jovens pesquisadores que analisa o acervo do poeta que tem cerca de 30 mil documentos, mas apenas uma parte deles foi pesquisada o que garante ainda grandes descobertas sobre o mais famoso poeta da língua portuguesa.
Ele teve contato com a escrita de Pessoa quando tinha apenas 18 anos. Foi um amor instantâneo e que já rendeu muitos frutos. Nos últimos anos, pelo menos 30 das obras descobertas de Pessoa tem a participação de Pizarro.
Uma delas foi escrita em parceria com o brasileiro Carlos Pittella Leite: “Como Fernando Pessoa pode mudar sua vida”, pela editora Tinta da China.
Ele concedeu uam entrevsiat para o blog e fala sa sua relação íntima com o poeta.
Jucimara Pauda – Como é viver impregnado pela poesia de Fernando Pessoa durante quase duas décadas?
Jerónimo Pizarro – Nem sempre é assim. Mas sempre que releio Fernando Pessoa, ou descubro novos textos, lembro-me do privilégio de ser um contemporâneo da sua primeira posteridade, isto é, do primeiro grupo de leitores póstumos que tem certeza da sua grandeza.
Jucimara Pauda – De que maneira a poesia dele mudou você como pessoa?
Jerónimo Pizarro – Mudou a minha vida e essa é uma pergunta que respondo, em 49 lições de vida e poesia, em Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida (Rio de Janeiro: Tinta-da-china, 2015). Mas devo acrescentar que me mudou como leitor e que me fez um melhor leitor da literatura universal: e essa dívida apenas é gerada por um número muito pequeno de grandes autores.
Jucimara Pauda – Em tantos anos de pesquisa, já é possível para você definir quem foi Fernando Pessoa?
Jerónimo Pizarro – Não sei, acho que não, porque tento evitar essa definição. Não há nada que me custe mais do que escrever um perfil ou uma biografia breve de Pessoa. Tenho muitas idéias. Tenho uma imagem pessoal. Tenho algumas coordenadas. Revisito com freqüência as definições de alguns críticos e escritores. Mas quase que preciso de não ter essa definição, de não fixar Pessoa, de não o congelar numa fotografia.
Jucimara Pauda – Como ele escolhia seus heterônimos? Tinha alguma regra? Ou foi aleatoriamente? Atualmente, são 136?
Jerónimo Pizarro – Pessoa talvez tivesse respondido que era escolhido por eles. E de certa forma é verdade, porque primeiro surgiam os textos e depois, só depois, é que ia ficando mais nítido um conjunto (O Guardador de Rebanhos, por exemplo), e uma figura autoral. Da clareza progressiva, obtida através da escrita, surgiram os autores fictícios pessoanos. E sim, para já mantenho o número descrito e narrado em Eu sou uma antologia: 136 autores fictícios (2013).
Jucimara Pauda – Com tantas descobertas sobre Fernando Pessoa, tem alguma que lhe causou um sentimento especial?
Jerónimo Pizarro – Muitas. Mas em poucos dias, por exemplo, na Pessoa Plural n.º 11 (www.pessoaplural.com), Carlos Pittella-Leita vai apresentar uma que me causou, em Março, um belíssimo espanto, uma sensação de arrepio.
Jucimara Pauda – Você disse durante uma entrevista que Pessoa sempre reserva surpresas. Ainda há muita coisa a ser descoberta?
Jerónimo Pizarro – Reserva, sim, e ainda temos que deixar espaço de alma para muitas surpresas. Algumas editoriais querem fechar Pessoa, e o mercado não é muito amigo dos Whitmans, dos Helderes indefinidos, mas Pessoa ainda surpreende e basta abrir os livros editados nos últimos dez anos para confirmar que contêm milhares de inéditos.
Jucimara Pauda – Quando você ganhou o prêmio Eduardo Lourenço você foi considerado um novo heterônimo de Pessoa. Como você se sentiu com esta colocação?
Jerónimo Pizarro – Senti-me na família de Ángel Crespo, de António Tabucchi, de Cleonice Berardinelli e de muitos autores que me introduziram no universo pessoano. Para mim Tabucchi já era um heterônimo, e nunca imaginei que eu pudesse chegar a esse patamar da estética do sonho. Pessoa convida a ser outro, a voar outro. E eu convivo entre outros heterônimos, isto é, entre os amigos todos com os quais já editei Pessoa. Devo parte de mim, do que sou, do que tenho feito, a muitos «companheiros de viagem» existentes.
Jucimara Pauda – Quais os seus planos para o futuro em relação a Fernando Pessoa
Jerónimo Pizarro  - Faltam tantos livros de Pessoa na coleção da Tinta-da-china, e não só, que não sei muito de planos futuros; mas sei que vou tentar manter o ritmo de publicação de dos volumes pessoanos por ano. Falamos em trinta anos e fazemos as contas… Com certeza ainda vou responder da mesma forma a sexta pergunta…

“Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.

À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Você com certeza já ouviu ou leu “Tabacaria” um dos poemas mais famosos do poeta Fernando Pessoa. Aqui, tem apenas quatro linhas que já demonstram o imenso talento do grande mestre das letras, que morreu há 82 anos. Nas últimas décadas, novos escritos foram descobertos, mas existe muito mais a ser encontrado. Quem garante é o  colombiano Jerónimo Pizarro, professor, tradutor, crítico, editor e a maior autoridade mundial em Fernando Pessoa. Ele participa do Salão de Ideias da Feira do Livro de Ribeirão Preto, nesta terça-feira, às 10h30, para analisar a obra pessoana.

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Pizarro lidera um grupo de jovens pesquisadores que analisa o acervo do poeta que tem cerca de 30 mil documentos, mas apenas uma parte deles foi pesquisada o que garante ainda grandes descobertas sobre o mais famoso poeta da língua portuguesa.

Ele teve contato com a escrita de Pessoa quando tinha apenas 18 anos. Foi um amor instantâneo e que já rendeu muitos frutos. Nos últimos anos, pelo menos 30 das obras descobertas de Pessoa tem a participação de Pizarro. Uma delas foi escrita em parceria com o brasileiro Carlos Pittella Leite: “Como Fernando Pessoa pode mudar sua vida”, pela editora Tinta-da-china. Na entrevista para o blog ele fala da sua relação íntima com o poeta.

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Jucimara Pauda – Como é viver impregnado pela poesia de Fernando Pessoa durante quase duas décadas?

Jerónimo Pizarro – Nem sempre é assim. Mas sempre que releio Fernando Pessoa, ou descubro novos textos, lembro-me do privilégio de ser um contemporâneo da sua primeira posteridade, isto é, do primeiro grupo de leitores póstumos que tem certeza da sua grandeza.

Jucimara Pauda – De que maneira a poesia dele mudou você como pessoa?

Jerónimo Pizarro - Mudou a minha vida e essa é uma pergunta que respondo, em 49 lições de vida e poesia, em Como Fernando Pessoa pode mudar a sua vida (Rio de Janeiro: Tinta-da-china, 2015). Mas devo acrescentar que me mudou como leitor e que me fez um melhor leitor da literatura universal: e essa dívida apenas é gerada por um número muito pequeno de grandes autores.

Jucimara Pauda – Em tantos anos de pesquisa, já é possível para você definir quem foi Fernando Pessoa?

Jerónimo PizarroNão sei, acho que não, porque tento evitar essa definição. Não há nada que me custe mais do que escrever um perfil ou uma biografia breve de Pessoa. Tenho muitas idéias. Tenho uma imagem pessoal. Tenho algumas coordenadas. Revisito com freqüência as definições de alguns críticos e escritores. Mas quase que preciso de não ter essa definição, de não fixar Pessoa, de não o congelar numa fotografia.

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Jucimara Pauda – Como ele escolhia seus heterônimos? Tinha alguma regra? Ou foi aleatoriamente? Atualmente, são 136?

Jerónimo PizarroPessoa talvez tivesse respondido que era escolhido por eles. E de certa forma é verdade, porque primeiro surgiam os textos e depois, só depois, é que ia ficando mais nítido um conjunto (O Guardador de Rebanhos, por exemplo), e uma figura autoral. Da clareza progressiva, obtida através da escrita, surgiram os autores fictícios pessoanos. E sim, para já mantenho o número descrito e narrado em Eu sou uma antologia: 136 autores fictícios (2013).

Jucimara Pauda – Com tantas descobertas sobre Fernando Pessoa, tem alguma que lhe causou um sentimento especial?

Jerónimo PizarroMuitas. Mas em poucos dias, por exemplo, na Pessoa Plural n.º 11 (www.pessoaplural.com), Carlos Pittella-Leita vai apresentar uma que me causou, em Março, um belíssimo espanto, uma sensação de arrepio.

Jucimara Pauda – Você disse durante uma entrevista que Pessoa sempre reserva surpresas. Ainda há muita coisa a ser descoberta?

Jerónimo PizarroReserva, sim, e ainda temos que deixar espaço de alma para muitas surpresas. Algumas editoriais querem fechar Pessoa, e o mercado não é muito amigo dos Whitmans, dos Helderes indefinidos, mas Pessoa ainda surpreende e basta abrir os livros editados nos últimos dez anos para confirmar que contêm milhares de inéditos.

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Jucimara Pauda – Quando você ganhou o prêmio Eduardo Lourenço você foi considerado um novo heterônimo de Pessoa. Como você se sentiu com essa colocação?

Jerónimo PizarroSenti-me na família de Ángel Crespo, de António Tabucchi, de Cleonice Berardinelli e de muitos autores que me introduziram no universo pessoano. Para mim Tabucchi já era um heterônimo, e nunca imaginei que eu pudesse chegar a esse patamar da estética do sonho. Pessoa convida a ser outro, a voar outro. E eu convivo entre outros heterônimos, isto é, entre os amigos todos com os quais já editei Pessoa. Devo parte de mim, do que sou, do que tenho feito, a muitos «companheiros de viagem» existentes.

Jucimara Pauda – Quais os seus planos para o futuro em relação a Fernando Pessoa

Jerónimo PizarroFaltam tantos livros de Pessoa na coleção da Tinta-da-china, e não só, que não sei muito de planos futuros; mas sei que vou tentar manter o ritmo de publicação de dos volumes pessoanos por ano. Falamos em trinta anos e fazemos as contas… Com certeza ainda vou responder da mesma forma a sexta pergunta…

Serviço

Salão de ideias com Jerónimo Pizarro com análise da obra Fernando Pessoa – autor homenageado pela 17ª edição da feira.

Horário: partir das 10h30, no Auditório Meira Júnior.

Lançamento do livro Pessoa Múltiple (Antologia Bilíngue), por Fernando Pessoa. A obra conta com edição, tradução e notas de Jerónimo Pizarro e Nicolás Barbosa. A antologia é a primeira a reunir, em um só volume, uma parte de toda a produção poética pessoana, os versos ingleses e franceses e livros tão importantes como Rubayiat e Quadras, entre outros. Pessoa Múltiplo é um convite para ler a poesia pessoana em toda a sua extensão, variedade e multiplicidade.

Atores Max Fercondini e Amanda Richter lançam livro em Ribeirão

Por jucimara.pauda em 03/06/2017

Você sonha em viajar pelo mundo? Eu tenho essa vontade desde quando era menina e até hoje não tive coragem de partir para a aventura de conhecer novas paisagens.
Um jovem casal, atores da Globo, apaixonados, e que possuem mais coragem do que eu, se aventurou pela América do Sul a bordo de um motorhome. Foram seis meses de viagem e 21 mil quilômetros percorridos em seis países: Argentina, Peru, Uruguai, Chile, Equador e Colômbia.
Primeiro, Max Fercondini e Amanda Richter  mostraram os bons momentos da viagem aos sábados pelo programa “Como Será”. Agora, eles trazem em livros os bastidores e o que ainda não foi visto pelo público no livro América do Sul Sobre Rodas, que vai ser lançado no dia 06 de junho, às 19 horas, na Livraria Paraler, em Ribeirão Preto.
Na entrevista ao blog, Max contou como foi o planejamento da viagem e deu uma dica para quem quer sair pelo mundo: estipule uma data e planeje cada etapa da sua aventura.
Tudo começou quando Max sonhou em atravessar o Brasil a bordo de um avião. Foram sete anos de planejamento, curso de piloto privado e no meio do caminho o nascimento de uma paixão por Amanda Richter.
“Ela trouxe leveza ao projeto e foi um ganho muito especial na minha vida”, diz Max.
Em 2016, o casal resolveu percorrer a América do Sul em um motorhome. O projeto foi enviado a Globo que comprou a ideia porque já sabia da qualidade do trabalho do casal.
“Na expedição Sobre as Asas batemos o recorde de audiência aos sábados e no Como será também”, conta Max.
O motorhome tem 18 metros quadrados, mas atendeu as necessidades do casal. Uma  ilha de edição compacta foi instalada no veículo. Teve espaço até para a moto que era usada para pequenas distâncias.
“Não se compara a um apartamento, ao hotel, mas o quintal é do tamanho do mundo”
A única dificuldade do motorhome é encontrar lugares especificos para estacionar durante as paradas.
A América do Sul não está preparada para este tipo de veiculo e havia momentos que não havia lugar seguro para dormir. Então, a gente parava nas estradas e postos de gasolina e estacionamento de hotel, mas o motorhome abriu portas, porque muita gente nos oferecia lugares para estacionar. A viagem com este veículo é super vantajosa”.
A viagem também foi recheada de trabalho, porque eram duas pessoas para produzir, filmar, editar e fotografar.
“Tínhamos uma demanda grande de imagens e conteúdo para gerar. A viagem era longa e a responsabilidade era grande porque estavamos fazendo um programa para a Globo e a qualidade tinha que ser muito grande”, diz.
“A experiência foi bem bacana porque conseguimos cumprir uma porposta dificil e aproveitar cenários diferentes, Também aprendemos espanhol durante a viagem. O que a gente ganhou na viagem tem um valor inestimável porque conciliamos trabalho com turismo”, completa.
Conselhos para os que sonham em viajar pelo mundo
A primeira coisa, segundo Max, é planejar e determinar uma data para sair pelo mundo.
“Nem se for uma data aberta. Até os 30 anos, aos 35 ou quando for aposentar. Precisa ter o prazo porque as coisas vão conspirar para dar certo”.
O livro do casal pode ajudar você a conhecer roteiros pela América do Sul, descobrir pontos turístícos e ficar entusiasmado para planejar o seu próprio roteiro.
max e Amanda tiveram a ideia quando começaram a finalizar o programa para entregar para a Globo e perceberam que muito material ficou de fora.
Primeiro, eles pensaram em fazer uma versão estendida do programa e depois decidiram que a melhor maneira de eternizar a viagem era publicar um livro.
A obra está recheada de QR Codes (códigos de acesso) que vão levar você até as fotos e vídeos produzidos durante a viagem.
“Os QR codes estão distribuídos nas páginas e as pessoas poderão também assistir aos programas na versão estendida. O livro traz uma introdução sobre caravanismo. Cada capítulo fala de um país. Também tivemos uma parceria com a Maquinaria para o trabalho gráfico. A editora Novo Conceito se somou ao projeto porque tem perfil jovem e a visão de um mercado dinâmico”.
O lançamento do livro América do Sul Sobre Rodas em Ribeirão Preto
Data: 06/06
Local: Livraria ParaLer – Rua Capitão Adélmio Norberto da Silva, 765 – Jardim California, Ribeirão Preto – SP
Horário: 19 horas
Regras para o evento
- 300 senhas em pulseiras que devem ser distribuídas algumas horas antes do evento;
- As pulseiras são individuais, intransferíveis e é obrigatória a apresentação da mesma para participação;
- Não serão permitidas selfies e gravação de áudio ou vídeos para WhasApp e Snapchat na mesa de autógrafos. As equipes da livraria e da editora farão com o equipamento/celular do participante;
- Os autores autografarão até 2 (dois) livros por pessoa e não será permitido autógrafos em outros materiais (papéis, marcadores, camisetas, etc…).

Você sonha em viajar pelo mundo? Eu tenho essa vontade desde quando era menina e até hoje não tive coragem de partir para a aventura de conhecer novas paisagens.

Os atores globais Max Fercondini e Amanda Richter, que já atuaram em novelas e filmes, entre elas, Malhação, se aventuraram pela América do Sul a bordo de um motorhome. Foram seis meses de viagem e 21 mil quilômetros percorridos em seis países: Argentina, Peru, Uruguai, Chile, Equador e Colômbia.

Primeiro, eles  mostraram os bons momentos da viagem no programa “Como Será”, que ia ao ar aos sábados, na Globo. Agora, eles trazem  os bastidores da viagem e o que ainda não foi visto pelo público no livro “América do Sul Sobre Rodas”, que vai ser lançado no dia 06 de junho, às 19 horas, na Livraria Paraler, em Ribeirão Preto.

Na entrevista ao blog, Max contou como foi o planejamento da viagem e deu uma dica para quem quer sair pelo mundo: estipule uma data e planeje cada etapa da sua aventura.

Max e Amanda

A ORIGEM

Tudo começou quando Max sonhou em atravessar o Brasil a bordo de um avião. Foram sete anos de planejamento, curso de piloto privado e no meio do caminho nasceu a paixão por Amanda Richter.

“Ela trouxe leveza ao projeto e foi um ganho muito especial na minha vida”, diz Max.

Em 2016, o casal resolveu percorrer a América do Sul em um motorhome. O projeto foi enviado a Globo que comprou a ideia porque já sabia da qualidade do trabalho do casal.

“Na expedição “Sobre as asas” batemos o recorde de audiência aos sábados e no “Como será” também”, conta Max.

max e amandaaa

VIAJAR COM MOTORHOME

O motorhome tem 18 metros quadrados, mas atendeu as necessidades do casal. Uma  ilha de edição compacta foi instalada no veículo. Teve espaço até para a moto que era usada para pequenas distâncias.

“Não se compara a um apartamento, ao hotel, mas o quintal é do tamanho do mundo”.

A única dificuldade  é encontrar lugares específicos para estacionar o motorhome durante as paradas.

“A América do Sul não está preparada para este tipo de veiculo e havia momentos que não havia lugar seguro para dormir. Então, a gente parava nas estradas, em postos de gasolina e estacionamento de hotel. O motorhome também abriu portas, porque muita gente nos oferecia lugares para estacionar. A viagem com este veículo é super vantajosa”.

Max e Amandaa

TRABALHO E TURISMO

A viagem também foi recheada de trabalho, porque eram duas pessoas para produzir, filmar, editar e fotografar.

“Tínhamos uma demanda grande de imagens e conteúdo para gerar. A viagem era longa e a responsabilidade era grande porque estávamos fazendo um programa para a Globo e a qualidade tinha que ser muito grande”, diz.

“A experiência foi bem bacana porque conseguimos cumprir uma proposta difícil e aproveitar cenários diferentes. Também aprendemos espanhol durante a viagem. O que a gente ganhou na viagem tem um valor inestimável porque conciliamos trabalho com turismo”, completa.

Conselhos para os que sonham em viajar pelo mundo

A primeira coisa, segundo Max, é planejar e determinar uma data para sair pelo mundo.

“Nem se for uma data aberta. Até os 30 anos, aos 35 ou quando for aposentar. Precisa ter o prazo porque as coisas vão conspirar para dar certo”.

O livro do casal pode ajudar você a conhecer roteiros pela América do Sul, descobrir pontos turísticos e ficar entusiasmado para planejar o seu próprio roteiro.

Max e Amanda tiveram a ideia quando começaram a finalizar o programa para entregar para a Globo e perceberam que muito material ficou de fora.

Primeiro, eles pensaram em fazer uma versão estendida do programa e depois decidiram que a melhor maneira de eternizar a viagem era publicar um livro.

A obra está recheada de QR Codes (códigos de acesso) que vão levar você até as fotos e vídeos produzidos durante a viagem.

“Os QR codes estão distribuídos nas páginas e as pessoas poderão também assistir aos programas na versão estendida. O livro traz uma introdução sobre caravanismo. Cada capítulo fala de um país. Também tivemos uma parceria com a Maquinaria para o trabalho gráfico. A editora Novo Conceito se somou ao projeto porque tem perfil jovem e a visão de um mercado dinâmico”.

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O lançamento do livro América do Sul Sobre Rodas em Ribeirão Preto

Serviço

Data: 06/06

Local: Livraria ParaLer – Rua Capitão Adélmio Norberto da Silva, 765 – Jardim California

Horário: 19 horas

Regras para o evento

- 300 senhas em pulseiras que devem ser distribuídas algumas horas antes do evento;

- As pulseiras são individuais, intransferíveis e é obrigatória a apresentação da mesma para participação;

- Não serão permitidas selfies e gravação de áudio ou vídeos para WhasApp e Snapchat na mesa de autógrafos. As equipes da livraria e da editora farão com o equipamento/celular do participante;

- Os autores autografarão até 2 (dois) livros por pessoa e não será permitido autógrafos em outros materiais (papéis, marcadores, camisetas, etc…).

Angelo Davanço semeia o amor pelo Fanzine há 26 anos

Por jucimara.pauda em 01/06/2017

No Dia Internacional da Imprensa, passa por aqui, o jornalista Angelo Davanço, editor de Cultura do “A Cidade” e um apaixonado por Fanzine.
O amor nasceu a primeira vista quando ele ainda era adolescente e permanece até hoje e é distribuído em doses mensais durante oficinas gratuitas nas escolas da cidade, na Livraria da Travessa e na Biblioteca Padre Euclides.
Este ano, Angelo também  participa, no dia 07 de junho, às 14h30, do Salão de Ideias  “O uso das histórias em quadrinhos na sala de aula como instrumento e resgate da autoestima dos educandos” .
Na entrevista abaixo, ele conta para gente como entrou no universo do fanzine e o que ele pensa do meio de comunicação alternativo que é feito de maneira coletiva e inspira amizades ao redor do mundo
Nasce uma paixão
Tive o primeiro contato com os fanzines na metade dos anos  1980. Assistindo a um programa de videoclipes na TV, uma banda punk chamada Crime disse, durante entrevista, que quem quisesse receber o fanzine deles, chamado Xerox, era só mandar uns tantos selos para receber o material pelo  Correio. Fiz isso e dias depois o carteiro deixou o zine em casa.
Fiquei fascinado pela ideia de produzir uma publicação sozinho, do início ao fim, para falar de assuntos que me sempre me interessaram: música, cinema, literatura, quadrinhos, entre outras artes.
O engraçado é que antes disso, sem nem saber o que era um fanzine, com  uns 13 ou 14 anos, fiz uma publicação xerocada sobre a  prática do futebol de botão, que enviava para outros  jogadores via Correio.
Primeira produção
Bem, em 1989, já na faculdade de jornalismo e fazendo estágio na EPTV Ribeirão, conversava muito com o José Luiz Gomes (o Zé morreu em 2012) sobre nossos assuntos em comum: música, cinema, literatura, quadrinhos e a dificuldade que a gente tinha de ter acesso a informações sobre isso na mídia.
Junto ao Milton Bilar Montero, um amigo meu de infância, eu e o Zé Luiz decidimos fazer um fanzine. Ficamos dois anos levantando material, entrevistando músicos, traduzindo quadrinhos internacionais e, em 1º de julho de 1991, lançamos a edição número zero do zine A Falecida, que existe até hoje e já lançou 14 edições.
Com a produção da Falecida, entramos no circuito nacional e passei a receber zines dos quatro cantos do país, acervo que guardo até hoje.
Oficina de Fanzine
Sim, todo mundo pode participar. As primeira oficinas que realizei foram em 1994, para desenhistas, poetas de gaveta, músicos. De lá pra cá, já falei sobre zines para alunos do ensino fundamental, universitários, professores e logo vem aí uma oficina voltada para as crianças.
Semeando Fanzine
Tenho duas oficinas regulares. Na Livraria da Travessa, que ocorrem todo  primeiro sábado do mês, das 19h às 21h30  e na Biblioteca Padre Euclides, toda primeira quarta-feira do mês, das 10h às 12h.
Fanzine versus jornalismo
O fanzine tem um pé no jornalismo, mas não é necessariamente jornalismo, digo no sentido de que não é preciso ser um jornalista para editar um fanzine. Trata-se de uma publicação 100% alternativa, uma vez que independe de uma editora, de uma indústria gráfica por trás. É conceito do ‘faça você mesmo’ do movimento  punk, seguido à risca.
Coletividade
Fazer fanzine é fantástico pois, por  não ter regras, possibilita a experimentação, a união de diversos estilos em uma mesma publicação. Assim, o trabalho coletivo é fundamental para se criar um veículo dinâmico, com diversos olhares. Na literatura, assim como nos quadrinhos, os zines são fundamentais para mostrar o trabalho de novos autores. Não é preciso contar com uma estrutura editorial para lançar o que se desenha ou escreve. Basta fazer e mostrar seu trabalho para todo mundo.
Historia do Fanzine
O termo fanzine vem da contração de duas palavras inglesas e significa, literalmente, “revista de fã” (FANatic MagaZINE). Trata-se de toda publicação de caráter alternativo, geralmente sem intenção de lucro, que traz textos diversos, histórias em quadrinhos, música, cinema, literatura, comportamento, isoladamente, ou tudo junto.
Os primeiros fanzines surgiram nos Estados Unidos, nos anos 30, produzidos por leitores de revistas de ficção científica, que se uniam em clubes de discussão sobre o assunto. O termo fanzine só veio surgir mais tarde, em 1941, através do norte-americano Russ Chauvenet.
No Brasil, os primeiros zines também surgiram da iniciativa de fãs de ficção científica. O primeiro de que se tem notícia é o “Ficção”, editado em 1965 por Edson Rontani, em Piracicaba (SP). O nome usado para estas publicações naquela época era boletim. O termo fanzine só surgiu por aqui nos anos 70.
Explosão no mundo
A explosão dos zines brasileiros ocorreu a partir da metade dos anos 80 e na década de 90, com inúmeros títulos surgindo por todos os cantos do país, tratando dos mais variados assuntos.
Anos mais tarde, com o agravamento da crise econômica sob o governo Collor e depois, com o surgimento do computador pessoal e, principalmente, da Internet, os fanzines de papel apresentaram queda em sua produção. Muitos resistem, mas não com a força do passado. Alguns migraram para outras plataformas, como sites, blogs e arquivos PDF. Outros desapareceram e outros tantos surgiram a partir destas novas mídias.
Serviço
Salão de Ideias: “O uso das histórias em quadrinhos na sala de aula como instrumento e resgate da autoestima dos educandos”
João Francisco Aguiar, Arnaldo Martinez Júnior, Arnaldo Martinez Neto, Marluce Fagundes Carvalho e Angelo Davanço (7 de junho, às 14h30, no Auditório da ACI-RP).

No Dia Internacional da Imprensa, passa por aqui, o jornalista Angelo Davanço, fã dos Beatles, especializado em cultura, editor  do “A Cidade” e um apaixonado por fanzine. Ele criou “A Falecida”, que já está com 26 anos.

O amor pelo meio de comunicação alternativo nasceu a primeira vista quando ele ainda era adolescente, mas permanece até hoje e é distribuído em doses mensais durante oficinas gratuitas nas escolas da cidade, na Livraria da Travessa e na Biblioteca Padre Euclides.

Este ano, Angelo também  participa, no dia 07 de junho, às 14h30, do Salão de Ideias sobre  “O uso das histórias em quadrinhos na sala de aula como instrumento e resgate da autoestima dos educandos” .

Na entrevista abaixo, ele conta  como entrou no universo do fanzine e o que ele pensa do meio de comunicação alternativo que é feito de maneira coletiva e inspira amizades ao redor do mundo.

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Angelo Davanço - A Falecida - Foto J.Barcellos

Nasce uma paixão

Tive o primeiro contato com os fanzines na metade dos anos  1980. Assistindo a um programa de videoclipes na TV, uma banda punk chamada Crime disse, durante entrevista, que quem quisesse receber o fanzine deles, chamado Xerox, era só mandar uns tantos selos para receber o material pelo  Correio. Fiz isso e dias depois o carteiro deixou o zine em casa.

Fiquei fascinado pela ideia de produzir uma publicação sozinho, do início ao fim, para falar de assuntos que me sempre me interessaram: música, cinema, literatura, quadrinhos, entre outras artes.

O engraçado é que antes disso, sem nem saber o que era um fanzine, com  uns 13 ou 14 anos, fiz uma publicação xerocada sobre a  prática do futebol de botão, que enviava para outros  jogadores via Correio.

Primeira produção

Bem, em 1989, já na faculdade de jornalismo e fazendo estágio na EPTV Ribeirão, conversava muito com o José Luiz Gomes (o Zé morreu em 2012) sobre nossos assuntos em comum: música, cinema, literatura, quadrinhos e a dificuldade que a gente tinha de ter acesso a informações sobre isso na mídia.

Junto ao Milton Bilar Montero, um amigo meu de infância, eu e o Zé Luiz decidimos fazer um fanzine. Ficamos dois anos levantando material, entrevistando músicos, traduzindo quadrinhos internacionais e, em 1º de julho de 1991, lançamos a edição número zero do zine A Falecida, que existe até hoje e já lançou 14 edições.

Com a produção da Falecida, entramos no circuito nacional e passei a receber zines dos quatro cantos do país, acervo que guardo até hoje.

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Oficina de Fanzine

Sim, todo mundo pode participar. As primeira oficinas que realizei foram em 1994, para desenhistas, poetas de gaveta, músicos. De lá pra cá, já falei sobre zines para alunos do ensino fundamental, universitários, professores e logo vem aí uma oficina voltada para as crianças.

Semeando Fanzine

Tenho duas oficinas regulares. Na Livraria da Travessa, que ocorrem todo  primeiro sábado do mês, das 17h às 19h00  e na Biblioteca Padre Euclides, toda primeira quarta-feira do mês, das 10h às 12h.

Fanzine versus jornalismo

O fanzine tem um pé no jornalismo, mas não é necessariamente jornalismo, digo no sentido de que não é preciso ser um jornalista para editar um fanzine. Trata-se de uma publicação 100% alternativa, uma vez que independe de uma editora, de uma indústria gráfica por trás. É conceito do ‘faça você mesmo’ do movimento  punk, seguido à risca.

Apaixonados por Fanzine na Livraria da Travessa

Coletividade

Fazer fanzine é fantástico pois, por  não ter regras, possibilita a experimentação, a união de diversos estilos em uma mesma publicação. Assim, o trabalho coletivo é fundamental para se criar um veículo dinâmico, com diversos olhares. Na literatura, assim como nos quadrinhos, os zines são fundamentais para mostrar o trabalho de novos autores. Não é preciso contar com uma estrutura editorial para lançar o que se desenha ou escreve. Basta fazer e mostrar seu trabalho para todo mundo.

Historia do Fanzine

O termo fanzine vem da contração de duas palavras inglesas e significa, literalmente, “revista de fã” (FANatic MagaZINE). Trata-se de toda publicação de caráter alternativo, geralmente sem intenção de lucro, que traz textos diversos, histórias em quadrinhos, música, cinema, literatura, comportamento, isoladamente, ou tudo junto.

Os primeiros fanzines surgiram nos Estados Unidos, nos anos 30, produzidos por leitores de revistas de ficção científica, que se uniam em clubes de discussão sobre o assunto. O termo fanzine só veio surgir mais tarde, em 1941, através do norte-americano Russ Chauvenet.

No Brasil, os primeiros zines também surgiram da iniciativa de fãs de ficção científica. O primeiro de que se tem notícia é o “Ficção”, editado em 1965 por Edson Rontani, em Piracicaba (SP). O nome usado para estas publicações naquela época era boletim. O termo fanzine só surgiu por aqui nos anos 70.

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Explosão no mundo

A explosão dos zines brasileiros ocorreu a partir da metade dos anos 80 e na década de 90, com inúmeros títulos surgindo por todos os cantos do país, tratando dos mais variados assuntos.

Anos mais tarde, com o agravamento da crise econômica sob o governo Collor e depois, com o surgimento do computador pessoal e, principalmente, da Internet, os fanzines de papel apresentaram queda em sua produção. Muitos resistem, mas não com a força do passado. Alguns migraram para outras plataformas, como sites, blogs e arquivos PDF. Outros desapareceram e outros tantos surgiram a partir destas novas mídias.

Serviço

Salão de Ideias: “O uso das histórias em quadrinhos na sala de aula como instrumento e resgate da autoestima dos educandos”

Quando: 7 de junho, às 14h30

Onde:  Auditório da ACI-RP – com João Francisco Aguiar, Arnaldo Martinez Júnior, Arnaldo Martinez Neto, Marluce Fagundes Carvalho e Angelo Davanço