janeiro, 2018

Uruguai tem o carnaval mais longo do mundo

10/01/18

Carnaval Uruguai

Crédito: Leonardo Correa/Divulgação

O Uruguai tem o carnaval mais longo do mundo, come√ßa em finais de janeiro e continua at√© meados de mar√ßo. Durante aproximadamente 40 dias, milhares de pessoas v√£o as ruas ou casa de espet√°culos acompanhar as diversas atra√ß√Ķes, que se exibem em todo pa√≠s, e s√£o marcadas pela mistura das culturas africana e europeia.

Iniciado em Montevid√©u, √© uma das tradi√ß√Ķes mais antigas e populares da cultura uruguaia. O ponta p√© inicial √© dado todos os anos com o Desfile Inaugural na Avenida 18 de Julio, que esse ano acontece no dia 25 de janeiro. Todos os grupos que interv√™m no concurso oficial da capital participam acompanhados de carros aleg√≥ricos e cortejo de Rainhas do Carnaval.
Al√©m da apresenta√ß√£o na avenida 18 de Julio, existem os famosos desfiles de ‚ÄúLlamadas‚ÄĚ. Com forte influ√™ncia da cultura africana, sob o som do Candombe, esse ano ocorrer√£o nos dias 8 e 9 de fevereiro e passar√£o pelo bairro: Sur e Palermo, tamb√©m na capital uruguaia. A tradi√ß√£o evoca e lembra os encontros dos escravos, que se reuniam fora da cidade durante os s√©culos XVIII e XIX.

A força e o colorido do ritmo africano fazem os visitantes vibrarem, a manifestação caracteriza-se pelo diálogo de três tipos de tambores: chico, repique e piano. O comovedor espetáculo é o maior no mundo quando se trata de tambores sendo tocados ao mesmo tempo: são mais de 2500 instrumentos unissonantes, arrepiando a alma dos espectadores.

Al√©m de curtir e dan√ßar baixo o som dos tambores do Candombe, o visitante poder√° desfrutar da Murga, ritmo de origem espanhola que mistura teatro, par√≥dia, humor e melodia. O g√™nero √© uma das express√Ķes mais genu√≠nas da cultura uruguaia, principalmente por sua participa√ß√£o popular. Nas noites de fevereiro os conjuntos percorrem palcos de bairros ‚Äď tablados montados nas ruas durante o per√≠odo de carnaval, onde costumam se apresentar.

Por 35 dias, os grupos carnavalescos de Murgas, Parodistas, Humoristas e Revistas Musicais participam do Concurso Oficial do Carnaval, onde apresentam com humor e sátira a visão do país e do mundo, acompanhados de diversos arranjos corais, vestuários chamativos e maquiagens criativas. Além de Montevidéu, todas as cidades do interior do Uruguai têm seus desfiles inaugurais. Algumas cidades sofrem influência de outros países como Rivera, Artígas e Melo, localidades fronteiriças ao Brasil, que adotam diversos elementos do nosso carnaval.

Dica de passeio: Em Montevidéu pode-se visitar durante o ano todo o Museu do Carnaval. Ali está exposta a memória do carnaval e abriga parte da história nacional. Confira no site: http://museodelcarnaval.org/

Mais sobre o Candombe
As sociedades de Afrodescendentes e Lubolos ou Comparsas de Candombe s√£o herdeiras de uma tradi√ß√£o envolvida nas denominadas Salas de Naci√≥n da √©poca Colonial. Os africanos trazidos como escravos lograram transmitir os valores de sua rica cultura. Reconhecido como Patrim√īnio Imaterial da Humanidade, o Candombe seduz aos visitantes com o peculiar som de seus tr√™s tambores. No Desfile de Llamadas tocam em un√≠ssono, ao longo do percurso, 2.500 tambores que constituem a ess√™ncia da comparsa.

O ritmo do Candombe surge da denominada corda, grupo formado por tr√™s tipos de tambores: piano, repique e chico. √Č tocado batendo o couro com a m√£o aberta e com uma baqueta que pode bater tamb√©m na madeira, sempre pendurado ao ombro por uma correia permitindo que o instrumentista caminhe enquanto toca.¬†Diante da corda de tambores, cujo n√ļmero pode superar os setenta integrantes, seguem adiante com seus trajes t√≠picos o resto da comparsa (marcha). O desfile de ‚ÄúLlamadas‚ÄĚ leva seu nome de ‚Äúla llamada del tambor‚ÄĚ, que os afrodescendentes realizavam para se reunirem (em extramuros), longe das propriedades de seus senhores, desde finais do s√©culo XIX em alguns corti√ßos, em determinadas zonas de Montevid√©u.

A marcha de cada agrupação é aberta por um estandarte, simbolizando o emblema da Tribo ou Etnia. Depois aparece o corpo de dança e os personagens ancestrais. Personagens como: o Gramilleiro, bruxo da tribo, caracterizado por capa, chapéu, bengala, óculos e barba branca, e mala com ervas de propriedades curativas; a Mama Vieja, de roupa colorida, leque e sombrinha, dança lentamente chamando a atenção do Gramillero; a Escobero, que originalmente guiava os tambores durante o desfile com uma bengala, hoje dança com uma pequena vassoura, dando movimento e seguindo o ritmo dos tambores; e as Vedettes que somam sensualidade as danças, evocam rituais, dançando diante da corda.

Mais sobre a Murga
Embora se identifique com origem C√°diz, cidade situada no sul da Espanha, desde 1908, sofreu muitas transforma√ß√Ķes, a Murga uruguaia nas √ļltimas d√©cadas transformou-se culturalmente e vem acolhendo cada vez mais adeptos do mundo todo. As Murgas carregam uma amplitude de ritmos musicais, dentre eles a ‚Äúmarcha cami√≥n‚ÄĚ, que se identificam compassos de percuss√£o do bumbo e do prato. O vestu√°rio e maquiagem carregam heran√ßa de outras express√Ķes presentes na arte europeia.

Atualmente, a Murga uruguaia √© formada por 17 integrantes: um diretor de cena e coral, 13 coristas ou ‚Äúcuerda de voces‚ÄĚ, divididos segundo seu tom de voz e 3 integrantes formam a bateria, com pratos, bumbo e redobre. As apresenta√ß√Ķes percorrem palcos p√ļblicos e privados principalmente de Montevid√©u e interior do pa√≠s, levam √† cena letras com humor, s√°tira e cr√≠tica de temas atuais, normalmente relacionados a pol√≠tica e cr√≠ticas sociais.

O carnaval nasce dos bairros e a maioria tem uma Murga pela qual torcer, apoiar ou seguir, ora nos desfiles ora nos concursos oficiais, que tem j√ļri qualificador outorgando pr√™mios e men√ß√Ķes.¬†Os ensaios s√£o abertos ao p√ļblico, isso permite que fam√≠lias inteiras memorizem e entoem seus repert√≥rios.

 

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Patag√īnia chilena, conex√£o direta com a natureza

03/01/18

Patag√īnia

√Č bem verdade que n√≥s, brasileiros, adoramos destinos de compras. Miami, Orlando, Nova York est√£o sempre na nossa lista de desejos. Mas assim como h√° lugares para gastar muitos d√≥lares e estar conectado nas redes sociais quase que 24 horas por dia, h√° tamb√©m destinos cujo prop√≥sito √© exponencialmente o inverso. E n√£o √© preciso ir ao outro lado do mundo para simplesmente contemplar o que h√° de mais belo neste planeta: a natureza. Esse √© o convite que a Patag√īnia faz ao seu visitante. Esque√ßa as lojas de grife e o sinal de celular, porque a conex√£o ser√° inteiramente com lindas paisagens feitas de bosques, riachos e geleiras.

A Patag√īnia √© dividida entre Argentina e Chile, bem ao sul da Cordilheira dos Andes e da Am√©rica do Sul. Se na Argentina tem destinos conhecidos mundialmente como Ushuaia e a Terra do Fogo, na sua face norte, no Chile, √© onde se encontramos recantos ainda mais deslumbrantes e porque n√£o dizer m√≠ticos, como a Carretera Austral, estrada de 1,2 mil quil√īmetros que serpenteia a regi√£o, abrindo caminho entre as cidades de Puerto Montt e Villa O‚ÄôHiggins.

Patag√īnia

Carretera Austral, estrada que corta o sul do Chile

Apesar de parecer um tanto remota, chegar ao norte da Patag√īnia n√£o √© uma tarefa assim t√£o dif√≠cil. O aeroporto mais pr√≥ximo a Santiago fica na cidade de Balmaceda, conhecida como uma das mais frias do Chile. Mas uma boa not√≠cia, principalmente para quem n√£o se d√° muito bem com o frio, como eu, √© que, quanto mais nos embrenhamos pela regi√£o, mais ameno o clima, principalmente no ver√£o. Mas se voc√™ curte frio, ent√£o v√° no inverno. Vale lembrar que, por estar no sul da Am√©rica do Sul, √© imprescind√≠vel levar roupas de frio, mesmo na esta√ß√£o mais quente do ano, roupas imperme√°veis (por conta da chuva que sempre cai por l√°) e botas para caminhar na terra e no gelo.

Para explorar o norte da Patag√īnia √© preciso ter em mente duas op√ß√Ķes: Fa√ßa voc√™ mesmo ou se hospede em um hotel que d√™ todo o suporte. Se a escolha for pela primeira op√ß√£o, ser√° preciso alugar um carro desde Balmaceda e da√≠ ir vencendo as dist√Ęncias e conhecendo lugares por sua conta e risco. Imposs√≠vel n√£o √©, mas eu diria que a segunda escolha √© a mais confort√°vel. Afinal, n√£o estamos em um destino onde h√° facilidades como asfalto em todo o caminho, ou postos de combust√≠vel aqui e ali, e lembrando, o sinal de celular ora funciona, ora n√£o. Transporte p√ļblico? S√≥ nas pequenas cidades.

Escolhi me hospedar no¬†Loberias Del Sur, hotel na pequena cidade de Puerto o Chacabuco. S√£o pouco mais de 130 quil√īmetros de dist√Ęncia, percorridos em mais ou menos duas horas. O interessante dessa op√ß√£o √© o que o hotel oferece servi√ßo de transfer de e para o aeroporto de Balmaceda, e serve como base para todos os passeios. Falarei do hotel mais¬† adiante, mas, vale lembrar que, estar bem acomodado, com boa comida e vinhos chilenos, √© como um b√°lsamo depois de um dia inteiro explorando a regi√£o.

Patag√īnia

A pequena Coyhaique: cidade típica do interior e rodeada pela grandiosa natureza

Comecei minha imersão pela natureza de leve, e sugiro o mesmo a quem se interesse em visitar o destino. No caminho entre Balmaceda e Puerto o Chacabuco fica a charmosa Coyhaique. Do alto da estrada é possível vê-la, quase escondida no meio de pampas verdejantes. Típica cidade pequena, tem um centro onde praticamente tudo se resume, com feira de artesanato, bancos e comércio. Não é uma cidade turística, mas deve ser visitada, justamente por revelar como é a vida tão longe de um grande centro urbano e tendo como vizinha, a poderosa Mãe Natureza.

Conhecer a face norte da Patag√īnia significa se deslocar pelas estradas. Ent√£o, todos os passeios v√£o demandar uma boa parte do dia sobre quatro rodas. E quanto mais distante da base, mais incr√≠vel o lugar. Mesmo com muitas horas (as vezes 4 horas para chegar e outras 4 para voltar) o caminho nunca √© enfadonho. Monumentos naturais como o Cerro Castillo onde ficam as Rochas das M√£os (figuras feitas por nativos, que deixaram suas m√£os pintadas h√° pelo menos 15 mil anos) e o Rio Iba√Īez, que rasga um extenso vale, fazem parte do trajeto. Outra comodidade de estar com guias √© poder parar em um mirante, apreciar a vista tomando um bom chocolate quente, ou um caf√©, acompanhado de petiscos.

Patag√īnia

Cascata Barbas del Viejo, no Parque Aikén del Sur

Um dos passeios mais pr√≥ximos de Puerto o Chacabuco √© o Parque Aik√©n del Sur. A apenas 7 quil√īmetros de dist√Ęncia, a propriedade privada tem uma √°rea de 250 hectares e uma rica biodiversidade. O visitante pode escolher entre tr√™s trilhas, a mais extensa leva aproximadamente tr√™s horas e vai at√© uma parte alta do parque. Escolhi a intermedi√°ria, de duas horas, feita de trilhas suaves entre a mata. Me embrenhei pelo bosque h√ļmido e respirei muito ar puro, conhecendo a flora t√≠pica da regi√£o e, entre uma copa de √°rvore e outra, avistei p√°ssaros. O fim da trilha reserva a melhor parte do passeio, como uma ponte de madeira sobre um riacho com corredeiras e uma vista majestosa da Cascata Barbas del Viejo. Me deixei molhar um pouco pelo vapor formado pela queda d‚Äô√°gua. E depois de gastar muitas calorias, o passeio termina com um almo√ßo regado a pisco sour, vinho e um delicioso cordeiro patag√īnico assado no fogo de ch√£o.

Outra reserva que n√£o deve ficar fora do roteiro √© o Parque Nacional Queulat. A aproximadamente 175 quil√īmetros desde Puerto o Chacabuco, o parque exp√Ķe cruamente como o homem est√° mudando a paisagem da Terra. V√≠tima do aquecimento global, a colossal geleira de Queulat, presa no alto de uma montanha, se desfaz lentamente sobre um lago. O parque oferece navega√ß√£o pelo lago quando as condi√ß√Ķes clim√°ticas permitem. No passeio √© poss√≠vel ver de perto a geleira. Para quem n√£o quer se arriscar nas √°guas geladas, o roteiro segue pela mata, onde √© poss√≠vel apreciar a beleza da fauna e flora. H√° um √°rea para alimenta√ß√£o. Quem vai por conta deve levar comida, quem contratou o passeio, os guias preparam almo√ßo em uma especie de tenda, o que √© uma facilidade. E a comida ainda vem com pisco e vinho.

Patag√īnia

Parque Nacional Queulat

Um dos passeios mais cansativos, mas que vale cada quil√īmetro rodado (s√£o 600 no total, desde¬† Puerto o Chacabuco), √© o do Lago General Carrera (no lado argentino recebe o nome General San Martin. E √© neste, que √© o maior lago do Chile, que ficam as mais belas obras de arte esculpidas pela natureza: as Catedrais de M√°rmore. S√£o forma√ß√Ķes rochosas que h√° mil√™nios est√£o em processo de escava√ß√£o pelas √°guas. Ao cortar o m√°rmore, a √°gua abre galerias, que de t√£o amplas, podem ser visitadas em botes. O passeio dura cerca de duas horas e os barcos s√≥ saem se as condi√ß√Ķes clim√°ticas permitem. Ao final, almo√ßo com mais pisco e vinho.

Patag√īnia

Catedrais de M√°rmore, no Lago General Carrera

Depois de rodar muito pelas estradas, que tal conhecer a regi√£o singrando as g√©lidas √°guas do sul do Chile? De Puerto o Chacabuco parte o catamar√£ Chait√©n, que leva os turistas em uma longa viagem at√© a Laguna San Rafael. S√£o quatro horas navegando com todo conforto e refei√ß√Ķes e bebidas inclu√≠das. Apesar da dist√Ęncia, a lagoa √© dona de um dos monumentos mais impressionantes do mundo, a Geleira San Rafael.

Patag√īnia

Bote do catamarã Chaitén leva turistas próximo da Geleira San Rafael

O glacial √© uma massa de gelo em um √°rea de 700 quil√īmetros quadrados de extens√£o, 70 metros de altura e 200 de profundidade. O catamar√£ Chait√©n para pr√≥ximo ao pared√£o congelado e oferece passeios mais pr√≥ximos, realizados em pequenos botes, de onde se observa com seguran√ßa o desprendimento de gigantescos blocos. Al√©m da impressionante vista, no caminho, peda√ßos gigantescos de gelo transl√ļcidos flutuam pela lagoa e ganham tons azulados, conforme s√£o iluminados pelo sol. Na volta para Puerto o Chacabuco, as quatro horas passam r√°pido para quem gosta de divers√£o. A tripula√ß√£o convida os passageiros a soltar a voz em um divertido karaok√™ e open bar. Quem prefere descansar, pode ficar no primeiro andar do barco, apreciar a vista ou dormir.

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Peda√ßos de gelo transl√ļcido que flutuam pelas √°guas da Laguna San Rafael

Hospedagem

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Vista do hotel Loberias del Sur

Al√©m de oferecer toda estrutura para os passeios pelo norte da Patag√īnia, o Loberias Del Sur (www.loberiasdelsur.cl) √© a base mais confort√°vel na regi√£o. Localizado em Puerto o Chacabuco, o hotel quatro estrelas disp√Ķe de apartamentos confort√°veis, academia, loja de roupas e suvenires, sauna, piscina e restaurante com menu assinado por um chef. Um ponto favor√°vel √© que, mesmo quando o passeio termina tarde da noite, o hotel estende o jantar, para que o h√≥spede n√£o fique sem refei√ß√£o. E se o passeio sai muito cedo, como para a Laguna San Rafael (√†s 7h), o Loberias abre o restaurante mais cedo ou ainda oferece um caf√© r√°pido no lobby. Outra comodidade √© o transfer de e para o aeroporto de Balmaceda. Basta o h√≥spede informar o hor√°rio do voo e o hotel providencia o transporte no momento mais adequado.

 

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Eduardo Gregori na Laguna San Rafael